The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Derrotas

Fora algumas partilhas no facebook, não publiquei nada sobre a situação da faixa de Gaza. Porque me é mais próxima que o costume: a minha irmã trabalha como jornalista em Israel e o meu “cunhado” israelita neste momento está preso por objecção de consciência. Graças a ela mas também ao facebook vou ficando a saber como a extrema direita israelita é cada vez mais violenta, indo ao ponto de perseguir quem participa em manifestações anti-ocupação, de como há gente que assiste a bombardeamentos como se fossem fogo de artifício, de grafitti apelando a que se gaseiem os árabes, etc. É nauseabundo.

Já tinha reparado que depois da crise ter começado aqui em Portugal tenho muito mais dificuldade em me mobilizar para causas internacionais. Mesmo sobre assuntos próximos às minhas preocupações – a crise, a austeridade, a arte, o design – já não consigo investir tanto em nada que não tenha uma utilidade imediata, e sei que esse foco é também uma derrota, um dos piores efeitos da crise, que torna a solidariedade bastante mais difícil.

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Filed under: Crítica

One Response

  1. Marco diz:

    Sempre estranhei que houvesse quem preferisse o trabalho do Jaime ao do seu irmão Gilbert. Para mim o Gilbert é incomparavelmente melhor. Reconheço que antes de os ler, era mais seduzido pelo desenho virtuoso e elegante do Jaime, mas depois de entrar no Universo de Palomar e de me apaixonar pelas personagens que nele habitam, mudei de ideias. Agora acho o seu desenho muito mais rico e versátil, com soluções gráficas surpreendentes, capazes de acentuar a carga poética, o humor e a vivacidade da sua escrita. Nisto lembra-me alguma da melhor bd japonesa que li recentemente nas edições da Drawn & Quarterly (“A Single Match” de Oji Suzuki, “Red Colored Elegy” de Seiichi Hayashi, toda a obra de Tatsumi, etc.) Para mim o trabalho do Jaime Hernandez está para o do seu irmão Gilbert como o de Charles Burns para o de Daniel Clowes. Burns também é um formalista, mais do que um escritor e irei sempre preferir a obra de Clowes por esse motivo. Tanto Jaime como Burns construiram os seus universos pessoais em torno de pequenas manias New Age: a luta-livre mexicana, os freaks e as aberrações da natureza, a música punk, etc. O seu estilo surge como altamente sofisticado, mas também os prende demasiado, na minha opinião, por ser um fim, mais do que uma consequência do seu trabalho. Daí a ligeireza ou aspecto lúdico dos temas. Não que tenha nada contra isto, mas autores como Clowes e Gilbert falam-nos da vida com outra profundidade. Para terminar devo dizer que também fiquei espantado por te ler a propósito de Paul Pope, que considero extremamente medíocre e kitsch. Coloco-o no mesmo saco que o Craig Thompson, esse virtuoso mas insuportável lamechas. O Paul Pope parece-me que faz bd apenas como um pretexto para desenhar míudas e míudos giros, sensuais, cheios de estilo… Arrgh! Não há paciência…

    Abraço,

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