The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Férias

Li nos jornais que, de acordo com certos inquéritos, a maioria dos jovens sentem um vazio e culpa por tirar férias. Já  fui assim. Tinha orgulho em trabalhar a meio de Agosto, de aparecer na escola nas férias, fora do expediente. Até ia escrever e ler para lá. Deixei-me disso quando me apercebi que essa disponibilidade era esperada e em alguns casos até obrigatória. O ensino vive dias difíceis e, desde que dou aulas que não só se pedem como se esperam sacrifícios quotidianos. Ora um sacrifício é uma coisa excepcional; não deve ser um modo de vida, excepto em certas seitas ou desvarios religiosos. Não é boa gestão manter uma instituição a funcionar por sacrifício ou voluntarismo; ou há condições mínimas ou então mais vale deixar-se de fazer de conta, fechar a luz, trancar a porta e ir para casa. Isto que digo das escolas seria válido para o país no seu todo, claro.

Assim, sou agora muito estrito quanto às minhas férias e períodos de descanso. Dantes calafetava-os com outro tipo de trabalho – escrever, correr, nadar – de modo a evitar que o emprego os colonizasse. Agora, mantenho-os desafiadoramente vazios e ai de quem meta lá o pé, enchendo-os de trabalho. Protejo o meu tempo livre como uma gangue o seu território.

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Filed under: Crítica

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