The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Em retrospectiva

Em retrospectiva, a arte mais bem sucedida do Porto da última década consiste acima de tudo na gestão de uma mitificação boémia da precariedade, sem tomar realmente parte dela (o sucesso assim o garante) e sem fazer o que quer que seja para a resolver.

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Filed under: Crítica

One Response

  1. Ana Farias diz:

    Parabéns pelo teu blog. Há muito tempo que não me lembrava de aqui vir.
    Numa cena do “Cerco” do A.C. Telles há uma cena em que um personagem diz qq coisa como “classes ricas, artes puras”, no contexto de publicidade Vs arte, ou experimental versus aplicado, etc.
    A imagem do artista com que cresci é essa da boémia gentrificada, duma certa imaturidade e incompetência que nem as médias altas de entrada nas faculdades beliscam aos olhos dos colegas.
    Quando pela primeira vez li sobre artistas a trabalhar com material genético, tive um espanto ingénuo que os cientistas não os corressem à vassourada. Racionalizei mais abaixo na entrevista “ah…país com mais recursos” e noutra parte os científicos testemunhavam ” os artistas procuram outras propriedades no material, por isso descobrem coisas que nos são úteis”…ah! senti, satisfeita.
    Noutra leitura_ a história da dança em portugal_ fiquei com uma impressão da nossa cultura que me serve,verídica ou metafórica, muitas vezes de guia. Contava que a dada altura a pequena classe de posses consumia regularmente espectáculos de dança, mas não havia criado, nem pretendia, qualquer escola de dança. Daí que performer português fosse um oximoro. Toda a gente sabia que não havia formação em portugal! Isto deu um novo colorido à “mania” da internacionalização.
    Mas no meio disto há coisas inexplicáveis (ou só explicáveis com um imenso desinteresse). Há por este país fora uma quantidade de material serigráfico nas escolas, de uma campanha dos anos 90, que nunca chegou a ser usado. A coisa que eu chamo o síndrome dos sapatos domingueiros.
    Desabafo longo…pouco contribui, não sou das pessoas com o pensamento mais organizado….Com os olhos nas soluções, posso testemunhar o cenário que encontrei numa residência em nantes em 1998, que penso que roça um pouco o que aconteceu no Porto 2001. Pelo que me apercebi em conversa, o espaço onde estava era uma ocupação cedida pelo município por evidente acção cultural, e o presidente recebia um salário equivalente a um part-time (ou que lhe permitia trabalhar em part time noutra coisa_ era arquitecto) para fazer produção, obter recursos; não sei se recebiam mais algum fundo, mas estávamos a trabalhar com recursos escassos. Visitei mais algumas casas nos mesmos moldes, recordo-me vivamente de uma associação de arquitectos cujo sistema era intervir numa casa, fazer uma grande festa e voltar a intervir na casa. (agora que penso nisso, talvez houvesse uma mistura de vida nocturna e cultura, porque na nossa também houve uma vernissage mas depois foi festa grossa com destruição e reconstrução das obras_ muito peculiar para o que conhecia até então)

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