The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Não Dar Uma Para a Caixa

Ouvir designers a falar (Pecha Kuchas, entrevistas) tornou-se tão penoso como ouvir futebolistas e  treinadores. Chavões, frases de circunstância repetidos sempre com demasiada emoção, como se fossem mantras ou explicassem alguma coisa. Ou, pior, como se não conseguirem explicar a ponta de um corno sugerisse que o assunto é profundo e não a falta de articulação ou até de ideias do orador.

Não é nada de novo. Para o meu doutoramento, tive que ler uma boa dose de monografias sobre design, coisas feitas para serem folheadas a que se acrescentaram textos e entrevistas porque parecia mais sério ou porque o designer tinha uma mensagem. Tretas pomposas a roçar o paranóico, como o Graphic Language of Neville Brody, convencido que toda a gente o andava a roubar. Exercícios de controle total mascarados de descontração informal como os livros de Sagmeister. Odes à egomania do designer mal disfarçados de tratados e princípios universais moralistas (Paul Rand). Mesmo gente mais articulada como Peter Saville mal consegue disfarçar o desprezo pela própria utilidade do que diz, faz ou acredita. No limite é tudo uma treta para ele.

E não é só no design. Tudo o que li nos últimos anos sobre o punk resume-se à hiper-intelectualização interminável de uma noite de copos com black out incluído – imaginem uma religião construída em torno d’A Ressaca (o filme ou a reacção fisiológica, tanto faz). Curiosamente, a monografia de Jamie Reid, Up They Rise, uma excepção, é bastante legível e livre de autobajulação.

Escrevo isto porque ando a ler sobre a 4AD, a minha editora de discos favorita quando estudava, sobretudo pelo design de Vaughan Oliver, as fotos de Nigel Grierson, etc. Conhecia bem os trabalhos, mas desconhecia os pontos de vista por detrás dele. Penso que o mistério daquelas texturas e cores intricadas funcionava melhor assim, pelo menos para mim, porque era um discurso complexo, emocional que não era auto-reflexivo, que não sobre-analizava ou estava sempre a justificar-se.

Ouvir o documentário acima tem sido uma luta porque é praticamente inútil. Não diz nada de importante que não esteja já no próprio trabalho. Os videoclips incluídos são mais interessantes que as hesitações dos designers, fotógrafos e editores.

 

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Filed under: Crítica

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