The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Mais e menos do que palavras

Mas lutei até ao fim e vi o documentário sobre a 4AD todo. Tem três ou quatro momentos perfeitos, que não são inúteis mas são contranatura.

Em primeiro lugar, o próprio documentário faz o que não se costuma fazer em filmes sobre design: não é um vídeo promocional. Confronta os designers com os seus falhanços. Fala com uma banda, os Colourbox, que não gostam das capas e perguntam aos designers o que acham das  críticas ao seu trabalho.

Depois, obriga designers que não gostam evidentemente de analisar ou mesmo verbalizar os seus processos a fazerem-no, como o próprio Vaughan Oliver admite (ao minuto 57:52) ao entrevistador: “I think you also caught us today trying to talk like the written word”.

Mesmo as bandas são acanhadas, ao ponto de mal conseguirem falar. É impossível não sorrir quando a rapariga dos Cocteau diz que não discute as capas com os designers, que habitualmente lhes manda cassettes com as músicas para eles ouvirem e que acha que eles gostam.

Confesso que esta timidez toda me parece refrescante por comparação com o confronto físico e verbal do punk mas também com a hiper-verbalização que tende a entranhar-se no design e nas artes actuais – já nem digo nada sobre o ensino do design e das artes depois de Bolonha.

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Filed under: Crítica

3 Responses

  1. marco diz:

    Não concordo… O Raphael Bordallo Pinheiro é um pioneiro tão ou mais importante que os seus contemporâneos europeus e americanos. Basta ler as suas duas novelas gráficas, “Os Galegos” e “No Lazareto de Lisboa”, para ter a certeza disso… E temos mais, nas primeiras décadas do séc. XX: Stuart de Carvalhais, Cotinellii Telmo e Carlos Botelho são autores completamente revolucionários e com uma obra bastante prolífica (só o Carlos Botelho com os seus Ecos da Semana assinou milhares de páginas). Abraço

    • Penso que o Mário se estava a referir ao pastiche de Stuart Carvalhais “Quim e Manecas”, com o “The yellow kid” do americano Richard Outcoult, criado 20 anos antes.

    • Bem, de acordo com a bibliografia que tenho lido, o roubo era generalizado. Em cada página se descreve um plágio ou apropriação qualquer. E até Raphael o fazia, por vezes assumindo. Ele próprio era roubado, etc. Não era um clima muito conducente aos direitos de autor.

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