The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

O Vazio

É raro discordar do António Guerreiro e o texto que escreveu esta semana para o Público, “Pedro Manuel”, é uma dessas ocasiões. Ele fala da falta de espessura, do vazio, e da pobreza do Primeiro Ministro. Estamos a falar de uma imagem e de um discurso públicos, que não são vazios, têm conteúdo, apenas não nos dizem respeito – a funcionários públicos, a bolseiros, a artistas, a reformados, a desempregados, etc. São de tal forma distantes das nossas preocupações, medos e interesses que nos parecem uma algaraviada, um vazio. Mas basta ler a opinião de quem ainda apoia este governo e estas políticas para confirmar que têm um público atento, para quem fazem todo o sentido. Basta ver como muita gente acredita que Passos Coelho está a lidar bem com o caso Tecnoforma, que assegura que a seriedade do Primeiro Ministro continua intacta e até fortalecida. Não aos nossos olhos, claro, mas aos seus.

Se o Primeiro Ministro pensa ou não pensa, não faço ideia, mas ainda assim faz parte de um sistema que pensa por ele. Não se pode dizer que seja vazio de significado. Apenas não para nós. É aos olhos dele que boa parte do país não tem espessura, é vazio e pobre. Interessamos-lhe, a ele ou ao sistema, apenas na medida em que lhe podemos dar legitimidade através do voto.

Penso que Pacheco Pereira anda mais próximo da verdade no seu texto de hoje, onde sublinha a equivalência geral entre Sócrates e Passos:

“Sócrates e Passos Coelho são muito diferentes, mas são também muito iguais. Aquilo em que foram e são mais iguais é na amoralidade que introduziram e reforçaram na vida pública, aqui também com a prestimosa ajuda de Portas. A moralidade na vida pública não se nota quando existe, mas torna-se um monstro que inquina tudo quando não existe. Ambos usaram do dolo, do engano como método de governar, utilizando todas as técnicas das agências de comunicação e marketing, as novas formas de propaganda. Ambos desconhecem o seu país, não gostam do seu povo, não prezam a sua independência, fazem gala de não precisar da História para nada e são incapazes de aprender, embora sejam muito capazes de se adaptar, sem memória, nem honra, nem compromisso com a verdade. Em suma, eles marcaram a chegada ao poder de uma geração de governantes muito iguais entre si, gente mal formada, mal preparada, mal-educada, mal instruída e mal-intencionada. De gente como Sócrates e Passos Coelho.”

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Filed under: Crítica

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