The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Não se safam com essa

Nem um dia depois de ter escrito sobre isso, a última crónica de João Miguel Tavares é uma óptima confirmação  de como a incompetência de Passos, Crato, etc. é estrategicamente favorável à agenda neoliberal, austeritária, a médio e até a curto prazo. Repare-se no cuidado como JMT separa competência de ideologia, reiterando que não vê alternativa à austeridade, apenas que o executivo de Passos será incapaz de a pôr em prática.

Esta tentativa de distanciar as trapalhadas deste governo da sua ideologia de base têm, como é evidente, o objectivo de manter o neoliberalismo como um dogma impoluto – o seu Reino não é (como é hábito nestas coisas) deste Mundo, mas (não faz mal) mate-se, esfole-se e moa-se a cabeça de toda a gente em seu nome. Em termos práticos, preparam a ronda seguinte de austeritários, se não nestas legislativas, nas próximas.

Ou seja, desde há algum tempo que já não é só a esquerda a apontar as contradições. Entre elas aquilo de este ser um governo liberal, que não quer interferir na vida dos cidadãos, deixando-os ser livres, etc. mas no entanto é só impostos, regulamentação de tudo e mais alguma coisa. Dá a sensação que se pode tossir sem antes pedir autorização, pagar uma taxa e ser avaliado pelo desempenho.

Mas, lá está, não há contradição nenhuma, tudo isto se dedica a reprimir modos de estar em sociedade que não sejam liberais. Não cabe na canela desta gente que alguém faça qualquer coisa sem que o objectivo seja competir, empreender ou inovar. Assim, se uns tantos milhões de pessoas querem ter um serviço mais barato e acessível, pagando todos os anos uma quota para isso, quer estejam doentes quer não, isso não pode ser porque vicia os preços, tira o incentivo aos privados, pressiona as pessoas para se juntarem. E assim lá vai o Sistema Nacional de Saúde, o Ensino Público, a Cultura, etc. O mesmo quando as pessoas se reinem para formar um grupo de pressão que proteja quem trabalha no mesmo ramo, organizando-se de modos que ninguém trabalhe abaixo de um certo salário, etc. E lá se vão os sindicatos.

Porém, desmantelando tudo isto, fica-se com uma série de serviços atomizados, de tarefas feitas por gente que até pode ser experiente mas é contratada temporariamente, treinada para competir, para arriscar, e depois não se admirem que o arranque do ano escolar acabe por engasgar, ou que a transformação da justiça numa espécie de killer-app dê erro de sistema.

Ou seja, a causa de cada um destes casos não é apenas um incompetente pontual mas a própria filosofia que os organiza.

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Filed under: Crítica

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