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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

O Provincianismo Crítico

Um dos tiques que mais me enervam na crítica de arte portuguesa: apanhar um artiguelho sobre uma exposição, espaço ou evento, perfeitamente identificados logo no cabeçalho, a acontecerem num sítio qualquer a uma dada hora, com fotografia diligente ao lado a confirmar que a coisa existe, e o crítico gasta metade do artigo a introduzir a coisa falando interminavelmente de Deleuze, de Adorno ou de Duchamp ou do diabo a quatro. Às vezes, nem perde tempo a dizer porque é que nos leva à Áustria ou à Irlanda para falar de uma exposição num vão de escada comissariado em Xabregas ou no Canidelo, e perdemos nós meio texto neste desvio. Lá para o fim descreve apressada e vagamente a coisa, conta as palavras para ver se já passou o limite e pronto.

Já dizia Foucault que o poder nunca é distante, precisa de ser encenado no próprio sítio onde é preciso exercê-lo. Não há poder longínquo ou central, por oposição a uma periferia onde é difuso e ténue. Por outras palavras, para exercer a forma de poder que é o provincianismo são precisas estas encenações simples de nunca ser possível falar do que temos à frente do nariz em Xabregas ou no Canidelo sem passarmos primeiro pela Áustria ou pela Irlanda.

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Filed under: Crítica

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