The Ressabiator

Ícone

Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Pormenores

Ontem, os meus alunos de Crítica do Design descobriram a exposição de Sara & André apropriada do Julião Sarmento e ficaram escandalizados. “Mas eles podem fazer isso?” Eu disse-lhes que o Julião Sarmento esta semana ia lá fazer uma visita guiada. Eles: “Oooooh!”

Porque não liga o jornalismo crítico português a este género de pormenores?

Filed under: Crítica

O Resto da Revista – O que (quase) fica de fora das histórias de banda desenhada

IMG_2927

Já agora, mais uma ou duas palavrinhas sobre a exposição que comissariei na Amadora. Foi uma óptima experiência. Queria agradecer sobretudo ao estúdio de design GBNT que foi fantasticamente profissional em tudo o que fez para concretizar a exposição, ao Nelson Dona e a todas as pessoas que, de modo directo ou indirecto, trabalharam nela. Deixo aqui, o texto de introdução:

Não, não se trata aqui de ideias salvas à última da hora do caixote do lixo, mas de coisas que estão lá, à vista de todos, que não fazem bem parte de uma banda desenhada mas a rodeiam e suportam.

Numa revista, por exemplo, as histórias de banda desenhada convivem umas com as outras: um western ao lado de uma aventura no espaço, uma viagem dos descobrimentos ou uma comédia de subúrbios. Entre as histórias há também textos, posters, passatempos, cartas de leitores, artigos. Há a cadência a que as histórias são publicadas e o modo como são recolhidas, arquivadas. Esta é uma exposição sobre o avesso da banda desenhada.

Trata-se de perceber como aquilo que rodeia e enquadra as histórias também as modela, de tal maneira que quando uma banda desenhada se adapta a novos meios e contextos, esses dispositivos de enquadramento são recuperados, nem tanto por nostalgia mas porque já dela fazem parte.

Até se poderia dizer que é sobre o design da banda desenhada, mas não é bem isso. Não chega a ser design porque as regras continuam a ser as da banda desenhada. Embora as duas áreas tenham muita coisa em comum – ambas lidam com a página, a revista e o livro – os ingredientes e os protagonistas são muitas vezes os mesmos, mas são culturas e histórias distintas.

Para os apreciadores do design e os amantes da banda desenhada (muitas vezes uma só pessoa) será uma pequena amostra de toda a riqueza que fica entre estas duas áreas.

Filed under: Crítica

O Galinheiro

Depois de me queixar tantas vezes dos maus efeitos quotidianos dos turistas, seria falta de coerência não concordar com a cobrança de uma taxa aos turistas que visitam Lisboa (adorava que fizessem isso no Porto). Corre-se o risco de matar galinha dos ovos de ouro, como augura Paulo Portas Santana Lopes? Não me parece. Já visitei (como turista) cidades onde cobravam esse género de taxa e não vejo problema nenhum em contribuir para serviços que uso e nem sequer pago, como recolha de lixo ou policiamento. Ou que até pago, quando compro um bilhete (transportes públicos) mas não tanto como quem vive nesse país ou cidade através de impostos. Se a taxa desencorajar alguns turistas, não me chateia nada. Afinal, não me queria habituar a pagar apenas dos meus próprios impostos a remoção e limpeza das monumentais cagadelas da galinha dos ovos de ouro.

Para cumprir a função de gente que vive à custa do país sem querer pagar um tostão de imposto por isso, esperando que todos os outros arquem com as consequências desse uso, já nos chegam banqueiros, ex- e actuais ministros e todos os outros oligarcas avulsos.

Filed under: Crítica

Caixa de velocidade

Enquanto preparava a exposição que comissariei na Amadora, era frequente pedirem-me desculpa por aquilo ter sido preparado tão em cima da hora. E eu dizia que não: contactaram-me na segunda metade de Julho. Tive Agosto inteiro para ler sobre o assunto e definir os temas. Tive bastante tempo para pesquisar o espólio com que ia trabalhar. A montagem da exposição ocupou os últimos quinze dias. Por comparação, dentro do ensino superior das artes tenho visto exposições a serem preparadas e montadas em dias, sucedendo-se rapidamente, sem que na semana seguinte alguém se lembre sequer do nome.

Tornou-se num vício: há uma obrigação constante de mostrar trabalho e, por outro lado, graças a um acesso ilimitado a trabalho gratuito (estagiários e alunos) só é preciso pensar na logística, logo faz-se o máximo possível de exposições no mínimo de tempo, mais ainda do que pode ser absorvido decentemente pelo público – mas na ideologia corrente é mais importante produzir do que consumir, portanto não interessa que se produzam centenas de exposições que ninguém vê.

Mas percebo que quatro meses pareçam pouco: quando o Miguel Wandschneider me convidou em 2010 ou 2011 para fazer uma série de conferências sobre livros na Culturgest lembro-me de ter falado com bastante pormenor de uma exposição que estava a planear sobre uma gigantesca colecção de cartazes feitos por artistas. Também me lembro da designer Irma Boom dizer casualmente que passava três a cinco anos a planear um livro.

Dei conta que me habituei à pressa no novo ensino superior, a pedirem-me coisas de véspera ou até já atrasadas, porque há sempre um prazo qualquer, que na maioria das vezes nem faz sentido. Ou porque é uma coisa que acontece todos os anos na mesma altura ou porque não compensa existir – para fazer tarefas relativamente mecânicas como inscrições numa prova vale a pena pôr um prazo curto; para avaliar coisas complicadas caso a caso, como o trabalho em curso de um conjunto de alunos de doutoramento, só garante que tudo entope na mesma altura.

É daquelas coisas contra-intuitivas: a burocracia não imobiliza, antes pelo contrário; tudo mexe interminavelmente, mas de modo irrelevante e incompreensível (penso que li esta ideia pela primeira vez no livro de Hannah Arendt sobre o julgamento de Eichmann). A maneira mais simples e superficial de aparentar eficiência é ter sempre tudo a mexer; a maneira mais grosseira de produzir uma forma decorativa de rigor é multiplicar os prazos e avaliações.

Filed under: Crítica

A acabar a montagem

IMG_2273.JPG

Filed under: Crítica

Fiquem lá com ele

Pedro Mexia escreve hoje no Expresso (não há link decente e é pena) sobre o problema típico e mais irritante de Debord (ou do Situacionismo ou do Punk). Discorda de Anselm Jappe que diz que não se pode pegar em Debord sem pegar num anti-capitalismo absoluto, numa radicalidade absoluta, numa marginalização absoluta. Demasiados pré-requisitos, e é evidente que se pode pegar em Debord da maneira que se quiser. Se o homem era um chato que alienou gente bem mais interessante do que ele, não temos culpa nenhuma. Prefiro ler as coisas do Ben Morea que foi expulso dos Situacionistas sem sequer ter sido membro.

Filed under: Crítica

Amanhã

BIBLIOTECA_Convite_148x105

Inaugura amanhã a exposição que estou a comissariar na nova bedeteca da Amadora. (Pronto. De volta para a montagem.)

Filed under: Crítica

Enjoy the Silence

Tenho andado caladinho por aqui porque ando a falar pelos cotovelos noutros lados, em particular para uma exposição sobre publicações de bd que inaugura este Sábado na Biblioteca da Amadora. Mais pormenores se seguirão.

Filed under: Crítica

Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico.

Autor do livro O Design que o Design Não Vê (Orfeu Negro, 2018). Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

História Universal do: Estágio

O "Estágio"
O Negócio Perfeito
Maus Empregos
Trabalho a Sério
Design & Desilusão
"Fatalismo ou quê?"
Liberal, irreal, social
Conformismo
Juventude em Marcha
A Eterna Juventude
Indústrias Familiares
Papá, De Onde Vêm os Designers?
Geração Espontânea
O Parlamento das Cantigas
Soluções...

História Universal dos: Zombies

Zombies Capitalistas do Espaço Sideral
Vampiros, Zombies, Classe Média

Comentários

Comentários fora de tópico, violentos, incompreensíveis ou insultuosos serão sumariamente apagados.

Arquivos

Categorias