The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Coisas do ano

Livro do ano: The Flamethrowers, da Rachel Kushner. Desde que me interesso mais por arte contemporânea que andava atrás de boa ficção sobre o assunto. Kushner já escreveu para a Art Forum e nota-se. Apanha como ninguém a sociabilidade tensa do mundo da arte. Apanha também as suas fronteiras. É uma check list das minhas obsessões: os Up Against the Wall Motherfucker, os Futuristas, as fronteiras entre a política e a arte, em particular entre o modernismo e os totalitarismos. Através dela cheguei aos Arditi, e deles voltei ao seu membro mais famoso, o poeta, proto-fascista e ultra-nacionalista D’Annunzio, que conquistou pelas armas a cidade de Fiume, perdida pela Itália nas negociações de paz, mantendo-a como um estado independente durante um ano. Acabaria em guerra com a própria Itália. A ligação a Portugal faz-se através de António Ferro que lhe dedicaria um livro embevecido.

Compra em segunda mão do ano: Aspen 5 + 6, de 1967, o número duplo minimalista da famosa revista/caixa, com discos, filmes de super 8 e várias intervenções de artistas. Contém a primeira edição da Morte do Autor de Roland Barthes. Habitualmente (e erradamente) o ensaio é datado do ano seguinte e associado ao Maio de 68, mas apareceu aqui pela primeira vez.

Banda desenhada do ano: Fatale, de Sean Phillips e Ed Brubaker, a meio caminho entre Lovecraft e Raymond Chandler com uma pitadinha de Nirvana.

Filme do ano: Cutter’s Way. É de 1981 mas é cinema loser no seu melhor. Tem um Jeff Bridges muito novinho.

Séries de televisão do ano: Brooklyn Nine Nine, a melhor comédia desde o Community. Person of Interest e Marvel Agents of S.H.I.E.L.D. – especialmente a primeira. O que gosto nelas? Quem as veja por cinco minutos vê personagens caricaturais, de traço grosso, clichés autênticos. O diálogo também é completamente folhetinesco. Mas de repente percebemos que um episódio de comédia quase burlesca, daqueles que costumam ser usados para ocupar o meio da temporada, é na verdade um drama e ficamos dias a cismar com aquilo – sem perder o tom. São séries ligeiras no pormenor mas diabólicas no plano de conjunto. Habitualmente é o oposto, com narrativas pesadas e super-psicológicas que no final nem um rato conseguem parir (True Detective, cof, cof).

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Filed under: Crítica

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