The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Já era tempo

Em relação ao Ano do Design, queria muito que a coisa desse certo mas, sem estar dentro do assunto, é-me difícil perceber o que se está a passar. Até a duração da coisa é peculiar: o logo diz 2014/2015 e o site anunciado com toda a gala está atrasado seis meses.¹ Seria talvez mais eficaz escolher um ano e não um período de doze meses que começa não sabe bem quando e acaba não se sabe quando.

Depois, diz-se na informação do site que se está a fazer “um levantamento e uma sistematização do design nacional, dos seus protagonistas e, a partir daí, proceder à partilha desses dados e à sua comunicação à escala nacional e global.” Um processo que “levará o seu tempo a estar terminado, e terá, dado o grande desenvolvimento da disciplina, de ser constantemente actualizado.” – faz parte da programação, mas mais uma vez não se percebem bem os limites. Quem vai administrar isto findo o evento?

Se calhar (e não falo apenas do caso do design) era melhor pensar mais em estruturas e instituições sólidas em vez de eventos periódicos e precários (bienais, trienais, encontros, festivais) que acabam por ter que funcionar sempre a meio caminho entre o efémero e o permanente, sem qualquer vantagem – bienais que têm uma programação permanente, apesar de nunca haver dinheiro, por exemplo.

No tal site, apresenta-se um conjunto de 40 nomes² (uma gota de água, assumidamente uma amostra). Mas a seguir verifica-se que a ideia é os restantes designers auto-inscreverem-se. É isto um levantamento? Quem escolheu? Como? Se a ideia era dar acesso, mais valia ter apresentado o site completamente vazio.

Mas confesso que o formato do directório me irrita um bocado. Desde que o design português apareceu há uma obsessão permanente por directórios e anuários, ninguém sabe quem é quem, é urgente comunicar, etc. E fazem-se, mas não fazem diferença nenhuma. É um formato tentador porque é fácil de pensar e ainda mais fácil de fazer (o conteúdo gera-se a si mesmo); já era altura de o esquecer. Há maneiras bastante mais interessantes embora trabalhosas de mapear o design nacional, há quem as esteja  a fazer realmente. Os exemplos não faltam e até aparecem nos nomes inventariados.

 

1- De acordo com o jornal Público: “Ainda assim, o site que colige também a programação do ADP nasce seis meses depois do previsto […]” Entretanto foi-me dito pelo José Bártolo que o cronograma foi comprido.

2 – Mais uma vez o número é o avançado pelo Público. Nesta primeira versão, de acordo com o José Bártolo (via facebook): “havia menos de metade; ao fim da manhã do primeiro dia o número de pedidos para inserção era de várias dezenas, tendo sido inseridos (por ordem de recepção) mais 20. Não tenho dúvidas que amanhã teremos mais de 50 e estou convencido que até ao final de dezembro (entre estúdios, instituições, publicações, exposições etc.) teremos ultrapassado as 200 entradas.”

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Filed under: Crítica

3 Responses

  1. Joana M. Pestana diz:

    sobre o http://designportugues.pt/ lembrei-me imediatamente do projecto “dizer.de” que mapeava o design português no mapa mundo e nas suas diversas actividades/funções. à semelhança do designportugues.pt também era plataforma digital que se auto-geria e crescia com submissões voluntárias. a verdade é que devolvia uma visualização, um verdadeiro mapa do design português organizado e categorizado. teria sido eventualmente uma boa ideia cruzar estes projectos em vez de começar mais uma vez do estado zero. http://www.and.org.pt/…/AND-parceira-do-projecto-Dizer-Demo…

  2. Gonçalo Falcão diz:

    “estou convencido que até ao final de dezembro (entre estúdios, instituições, publicações, exposições etc.) teremos ultrapassado as 200 entradas.”
    —————————————–
    a 31 de Dezembro são 61

    48 designers vivos
    3 mortos
    10 “outros” [três associações AND e APD (a APD tem actividade suspensa) e EXD (aparece duas vezes enquanto associação e enquanto evento), duas revistas (Pli e Casa), um centro promotor extinto (CPD), uma escola (ESAD), dois arquitectos (Paulo Seco e INAIN,”arquitectura de interiores”), um museu (MUDE)]

  3. […] com o Governo de Israel. Outras iniciativas como o site do Design Português, já me queixei dele em outras ocasiões. Tal como já me cansei de o fazer em relação ao design de Siza Vieira, quase todo muito fraco, […]

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