The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Movimento dos Resignados

Faço anos a 29 de Fevereiro portanto fui treinado desde novinho para a democracia tal como ela é exercida hoje em dia. Vota-se numa lista qualquer de uma lista reduzida. Lê-se o programa. Pesa-se as decisões. Na maioria das vezes, vota-se estrategicamente, que é como quem diz não para apoiar alguém mas para poder alguém. Muita gente votou em Portas para controlar Passos. Grandes génios da estratégia, digo eu. No fim de contas nem interessa muito. Mais tarde ou mais cedo, cada vez mais cedo, chega-se àquele ponto em que se fecham as escotilhas e se fica à espera da eleição seguinte.

Outro dia no Público, houve uma iniciativa engraçada que consistiu em pôr o Secretário de Estado dos Transportes a responder a perguntas de pessoas sobre a privatização da TAP. Por exemplo:

“Acha correcto levar a cabo um processo de privatização de uma empresa do Estado sem consultar os seus accionistas, os cidadãos portugueses, e sem procurar a colaboração dos milhares de trabalhadores?
Nuno Pedro Alves Chermont Bandeira, 29 anos, oficial piloto, Lisboa

A opinião dos accionistas foi tida em conta. A privatização TAP fazia parte do programa dos partidos que se propuseram a eleições e faz parte do programa do Governo. Não haja dúvida nenhuma de que os accionistas foram consultados e que se pronunciaram. Aliás, julgo que estamos a querer negar a democracia ao voltar a esse ponto. Não me parece haver dúvidas de que mais de 80% da representação parlamentar apoia a privatização. O Partido Socialista (PS) não lhe chama privatização, mas eu não sei que outro nome se há-de dar a um aumento de capital em que 49% não é do Estado. É uma privatização. Há um amplo consenso na sociedade quanto à importância de privatizar a companhia. […]”

É claro que houve manifestações gigantes contra esse tal programa, esse tal governo, a privatização em particular, mas que interessa, votou-se, agora tem que se gramar com a coisa até ao fim. Um milhões de gente a reclamar não chegam para abalar a confiança do executivo, daqui não saem, etc. Daí que se tenha passado de Indignados a Resignados. “Que se lixe a Troika” estava no bom caminho mas era demasiado específico. “Que se Lixe Esta Merda Toda” é o sentimento actual.

Não admira. Apesar de tudo, ainda há um contrato social, mas é uma daqueles contratos de fidelização, tipo tarifário de telemóvel. Assina-se mas é um pesadelo sair. Liberalismo, liberalismo, mas só de quatro em quatro anos.

 

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Filed under: Crítica

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