The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

2014 em coisas mínimas

Depois de quinze dias a consumir listas dos acontecimentos, discos, filmes e pessoas mais importantes de 2014, concluo que prefiro as listas alternativas, das pessoas menos poderosas do mundo da arte (quase toda a gente), ou dos filmes negligenciados que já me deram a oportunidade de ver obras um pouco ao lado, que nunca veria de outro modo. Nos últimos anos descobri que gosto do que se poderiam chamar listas críticas, que acabam por ser minifestivais de bolso, ou mais exactamente de colo, de livros, ensaios, arte, comics ou filmes que podemos ver ou reflectir sobre no computador. Acaba por ser mais uma instância da grande hegemonia do comissariado mas não é das piores. É intimista e quotidiana, delicada.

Também na vida pública e política se deviam fazer talvez listinhas e não listas, escolher figurinhas e não figuras do ano. Os pequenos escândalos do dia-a-dia, quando descobrimos que a crise nos mudou a todos, e não apenas os submarinos e os vistos e as luvas. Digo-o porque a maior desilusão do ano foi para mim a descoberta ou melhor a consciência que a maioria das pessoas que há uns anos ainda protestavam nas ruas neste momento só esperam cinicamente que este governo acabe. Para mim, o conceito do ano foi o Não-Sebastianismo, o oposto da crença num salvador, apenas a esperança que os idiotas que nos governam um dia hão-de acabar por se ir embora.

Outra consciência é perceber que se nos telejornais o subemprego, o estágio, incomoda e ainda é criticado, na vida quotidiana é  usado e abusado sem qualquer tipo de pensamento. Nas universidades, por exemplo, vai-se entranhando nos currículos, sem que se pense sequer nas suas consequências. Daí que apesar dos cortes se façam cada vez mais eventos e iniciativas. Quando não se precisa de pagar a ninguém, o céu é o limite. A abundância assenta numa institucionalização da miséria. Em oposição, eu sugeria que “não se fizesse ao próximo o que o governo faz a nós todos”. Porque não me parece que se possam resolver os problemas do país mudando o topo se aqui por baixo a mesma lógica já é corrente, já se tornou num hábito. Não adianta mudar o governo, se o quotidiano também já se liberalizou e privatizou.

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Filed under: Crítica

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