The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Design no Porto, Concursos, Trapalhadas, Crispação, etc.

O Porto parece mais vivo, não há dúvida, até no design gráfico. Mudou de identidade e, por arrasto, umas outras tantas instituições mudaram também de identidade. Desde há uns meses, quase todos os meus amigos designers debatem quem será o novo designer do Teatro Nacional São João. É um sítio com tradições, Foi lá que trabalhou João Nunes, mais tarde o João Faria, que saiu há uns anos mas teve uma presença de tal modo forte que os cartazes ainda se parecem um pouco (não o suficiente) com os dele.

No fim do ano passado, abriu-se discretamente um concurso a 20 de Novembro, através de uma notícia no site da instituição. Sei que concorreram mais de duas centenas de designers até 27 de Novembro. O prazo era curto mas essencialmente pedia-se currículo e portfolio. A 10 de Dezembro anunciava-se que se tinham seleccionado 5 finalistas – que não eram identificados, tal como não se identificava quem iria fazer a selecção (era um júri externo? eram pessoas do próprio teatro?) e mesmo qual o valor da avença que estava a ser oferecida.

Nada disso é claro. Daí que os designers especulem. O São João é uma instituição pública e como tal espera-se um pouco mais de transparência, especialmente numa altura destas, quando muitos dos estúdios de design do Porto têm fechado por falta de grandes clientes públicos – embora o design se veja a si mesmo como actividade empresarial, privada, etc. por trás de cada estúdio de design com alguma fama há sempre uma avença com uma instituição pública qualquer (daí que se possa descrevê-lo como uma espécie de função pública externa).

A nova vitalidade do Porto, que muito deve à nova presidência da Câmara com a sua ênfase na cultura, parecia anunciar mais trabalho para os designers neste modelo clássico de colaboração. Contudo, depois de anos de negligência a crispação e a fome são grandes. O concurso para a marca da cidade, por exemplo, foi marcado pela polémica quando um dos estúdios que perderam divulgou a sua proposta pouco antes da oficial ter sido apresentada. A seleção de designers para o teatro Rivoli também foi interrompida de repente, cancelando-se reuniões com os designers que se candidatavam, para algum tempo depois se anunciar que o estúdio seleccionado era o mesmo da identidade da cidade.

Ou seja, e em cada um dos três casos, há uma sensação de trapalhice processual, de falta de diplomacia, mesmo alguma displicência das instituições para com os designers (S. João, Rivoli) ou dos designers para com as instituições (identidade do Porto).

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Filed under: Crítica

One Response

  1. Sr Mário, já agora e visto que há uns anos atrás abordou o assunto “design suiçoide”, quando é que aborda o “geometrias repetitivas e abstractas”?

    O design português, diria portuense, parece ter uma cara. Cara essa que está bem na moda. Tanto que todos a querem definir como “estilo próprio” quando na verdade é o estilo de todos! Pois.. Diria que está bem na moda por todo o mundo, basta irmos ao Behance. Fica a sensação que, independentemente do fim ou do cliente, a linha gráfica é sempre a mesma. Já não é suiçoide mas sim repetitivamente geometrica e abstracta.

    Gostava que o Sr Mário Moura tocasse neste assunto, se é que lhe dá alguma importância.

    Fala-se demasiado em estilo próprio nas escolas superiores de design, pelo menos cá no Porto. Mas depois vemos uma avalanche de clones, clones dos seus professores/gurus do design. Aqui encontro alguma relação com a falta de competências que fala nesta sua publicação. Não era preferivel promoveram a ideia de versatilidade? De evolução? De adaptabilidade? É que esse estilo gráfico, minimalista por preguiça, só sustenta os que vivem dele há vários anos e não os que estão acabar mestrados.

    Mais uma coisa, os alunos saem do curso de design de comunicação minados com a ideia que o design para finz comerciais é um veneno, não é ético, e que só o design para a cultura é que é ético. Quem faz a apologia é quem já não precisa de lutar para se sustentar. Os que saem precisam de lutar.

    Vi também que as propostas para a identidade do Porto eram muito identicas a outras já existentes pela Europa. Uma delas, refiro-me ao estúdio que revelou a sua proposta precocemente, era uma quase cópia da identidade do metropolitano de lille e do museu de design de moscovo. Ninguém refere isto, todo elogiam de forma acrítica (e eu, claro sou um ranhoso de primeira poque reparo nestas coisas)

    Que trapalhice elogiada de forma desmeolada!

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