The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Bitter Lake

Vi Bitter Lake (2015), o último documentário de Adam Curtis, que começa por ser sobre o Afeganistão e acaba, conforme o hábito do realizador, por ser sobre quase tudo. Como a América acabou por criar o Afeganistão actual mas também como Afeganistão vai mudando subtilmente os países que lá entram, a Inglaterra, a União Soviética e finalmente a própria América.

As imagens de arquivo são hipnóticas, lindíssimas, sejam elas o registo em Super 8 de uma festa de crianças num enclave industrial americano dos anos 1950, de um helicóptero a aterrar filmado em visão nocturna ou de um afegão brincando ao Kung Fu para a câmara enquanto espalha almofadas numa tenda. A beleza e abstracção destas cenas, apresentadas quase sempre sem comentário, obrigam-nos a olhar para elas, a tentar extrair delas qualquer pista, qualquer sinal, tornando-as um mistério necessário, eficaz, memorável.

O resto são mal entendidos culturais que não são os do costume. Não é a relação entre vítimas impotentes e poderes distantes, bem intencionados e/ou arrogantes, mas algo mais complicado onde os poderes locais aprenderam a manipular a força dos invasores para os seus próprios fins, usando-a para eliminar rivais, para encorajar ódios e alianças.

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Filed under: Crítica

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