The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Logos para a Austeridade

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Uma pessoa pensa que já ouviu tudo. Ou pelo menos que já nada nos surpreende. Que se pode reagir intelectualmente ao que nos vão atirando, olhar para cada bojarda friamente, encaixando-a com rapidez entre as anteriores e esperar pela seguinte, como um inspector na linha de montagem de uma fábrica monstruosa, onde só por acaso sai uma peça que cumpre os mínimos. Mas, mesmo entre os monstros, há sempre espaço para pior.

Quando o Primeiro Ministro diz que se deve “fazer tudo para salvar vidas, mas não custe o que custar.” A frase já é má em si mesma, mas torna-se pior quando se desenterram outras, a propósito do memorando da Troika: “Nós, simplesmente, como gente adulta e madura, vamos cumprir o que lá está, custe o que custar. E custa, custa muito, não haja dúvida quanto a isso, mas vamos cumprir.”

A conclusão do silogismo é simples: pagar a dívida, mesmo que isso custe vidas.

Na verdade, nem sequer se trata de pagar a divida, porque ninguém, nem sequer os credores, acreditam que possa ser paga na totalidade, apenas de ser punido por ela, de fazer as chamadas “reformas estruturais”, que mais não são que a cristalização da austeridade (que ainda se anunciava como um estado transitório a caminho de uma melhoria que não aconteceu) – são a austeridade enquanto modelo de sociedade.

É isso que se tenta demonstrar agora com a Grécia: que não se trata de deixar um país ou uma pessoa melhorarem mas de os colocarem no seu lugar merecido na hierarquia das coisas. Se não merece nada, não terá nada. Não tem a ver com razão ou sequer sensatez, mas simplesmente com moralidade e imposição pela força.

Daí que esta semana me tenha ocorrido que a capa do Design em Tempos de Crise seja o melhor comentário possível para o carácter totalitário desta economia da depressão: um gráfico descendente desenhado com a mesma arrogância do ´simbolo das SS ou da própria suástica. Na altura em que foi concebido por mim, pela Isabel Carvalho e pelo Pedro Nora, em 2008, ainda não se falava de austeridade. Entrava-se nos subúrbios da Grande Recessão. Parecia-me quase demasiado forte. Neste momento, parece-me só justo.

 

 

 

 

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Filed under: Crítica

One Response

  1. André Clemente diz:

    para hoje só isto… NICE!!

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