The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Alternativas

Uma pessoa envelhece não apenas para a frente, com os anos vividos a acumularem-se, mas também para trás, porque usamos esses anos não apenas para viver mas para saber um pouco mais de história. No caso do design que é uma coisa de modas, a história é sempre uma coisa difícil. Quando digo modas, por exemplo, não falo de fontes, cores, papéis ou tipos de encadernação mas de coisas mais imperceptíveis: de como o designer se pensa a si mesmo, se organiza, onde acha que deve trabalhar, como e para quem. Por detrás das pequenas modinhas que os iritam (e que são inevitáveis) a própria ideia do que é um designer vai mudando.

Por exemplo, há quinze anos atrás, o “designer como autor” era considerado uma aberração, agora um designer fazer trabalho sem um cliente à partida, montar o próprio negócio é uma coisa banal – o design abraçou o empreendedorismo com a falta de espírito crítico com que costuma abraçar tudo o resto. Calculo que os gurus do costume já digam que o design sempre foi assim.

Ainda assim, é possível ver alguns sinais no design da época onde foi criado. Falo do modernismo, como é óbvio. Certa tendência para preferir a bidimensionalidade e as cores planas. Modularidade. Termos que vão sendo repetidos com sentidos bastante diferentes: forma/função, less is more, a própria palavra “design” – se já foi possível traduzi-la por “projecto” (os arquitectos ainda o fazem), agora tornou-se num género, como em literatura se usa o policial ou a ficção científica.

Fala-se de design quando se fala de empresas, de inovação, de luxo, etc. Pelo caminho, ficaram as velhas intenções políticas e sociais. Só é possível falar de design político ou social quando se fala da empresarialização de cada uma destas coisas: privatização da caridade ou marketing político.

Mas para quem se dá ao trabalho de ir ver como as coisas se faziam, percebe que há outras possibilidades. A conclusão é esta: se há alternativas para a austeridade, também as há para o sucedâneo redutor a que se insiste em chamar “design”. Basta querer.

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Filed under: Crítica

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