The Ressabiator

Ícone

Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Será que já é isto?

Até agora o Ano do Design tem sido uma valente desilusão. Ou melhor: indefinição. Que começa logo com o ano propriamente dito. Não se percebe muito bem quando a coisa começa ou acaba. É 2014? É 2015? Já acabou? Será que já é isto?

As próprias iniciativas, seguindo a deixa do ano, também não se percebe muito bem onde começam e acabam. A exposição A Liberdade da Imagem, por exemplo, queria ser a um tempo sobre o design de uma época mas também se quis colar às comemorações dos quarenta anos do 25 de Abril (talvez para aproveitar  financiamento?) e depois também se dispersou por um conjunto de locais que obrigavam o espectador a uma autêntica estafeta. E porque se expunha design dos anos 70/80 em espaços medievais, românticos, oitocentistas? Os objectos (que tinham interesse) diluiam-se dentro dos espaços, muitas vezes já sobrecarregados, onde estavam expostos (o Museu Guerra Junqueiro é o caso mais flagrante).  Fica a impressão que se tentou cumprir demasiados compromissos à custa da integridade do próprio tema.

Apesar de tudo, fui dando o benefício da dúvida. À falta de mais informação – posição sobre os colonatos, por exemplo –, boicotei a iniciativa seguinte, uma exposição feita em parceria com a Embaixada de Israel. Tal como evito colaborar com o Governo de Portugal, também o faço com o Governo de Israel. Outras iniciativas como o site do Design Português, já me queixei delas em outras ocasiões. Tal como já me cansei de o fazer em relação ao design de Siza Vieira, quase todo muito fraco, que não justifica a atenção de uma exposição num ano do design que não faço ideia se está a terminar ou não. Será que só é isto?

Como iniciativa mais ou menos directa deste Governo na cultura, percebe-se porque foi escolhido o design. À vista pouco informada, parece sempre mais útil, inovador, empreendedor e orientado para exportação que o resto das artes (para não dizer com complexos de inferioridade e ansioso de agradar). No resto das artes, pode-se sempre patrocinar uma Joana Vasconcelos que se ponha a jeito mas não se pode chamar a isso o “Ano da Arte” sem cair no ridículo.

Anúncios

Filed under: Crítica

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Arquivos

Arquivos

Categorias

%d bloggers like this: