The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Pastar

Tenho tido mais vontade de escrever sobre design nos últimos tempos e demorei algum tempo a perceber porquê. Afinal é bastante simples.

A política nacional tem sido um desconsolo. Não tem havido falta de debate, de opinião informada, mas as instituições não tiram as devidas conclusões. Não falo do caso da Segurança Social por pagar (ou outro caso qualquer) mas de coisas mais graves. A austeridade falhou em toda a linha, só serviu para dar graxa à Europa. Mas ainda se discute como se fosse um problema de afinação ou de aplicação. As privatizações é o mesmo. Todos dias se percebe como são um mau negócio. Mas insiste-se sempre em colocar o plano da discussão num ponto onde ainda parece que se leva a sério esta possibilidade. Interessa encerrar a discussão porque já não há paciência. Neste momento, importa lembrar a todos os opinadores e decisores que tomaram e defenderam estas posições que garantir lá fora a seriedade nacional através da aplicação de políticas erradas e destrutivas não as torna certas ou positivas. Importava entender que não interessa ouvir gente que se enganou sistematicamente. E mesmo ouvir gente que mudou de ideias não interessa tanto como prestar atenção aos que tiveram razão desde o começo.

Deixei de escrever tanto sobre política nacional aqui no blogue porque há poucos indícios de isto acontecer. Ainda se insiste numa discussão que na minha opinião já devia ter passado.

Quanto à arte e a cultura em geral, é quase o mesmo. É uma área depauperada, com algumas responsabilidades de representação. Contudo, depois de anos de crise, a resposta tem sido anémica, para não dizer nula. Resume-se em grande medida a exercícios formalistas, que conseguem a proeza de reduzir a intervenção política a um jogo inconsequente de citações. O político é aqui o que sabe citar antecedentes políticos. A recepção crítica (artigos, prémios, iniciativas) também não ajuda de todo, insistindo em recompensar a ambiguidade e o formalismo reverente. Quem vá ver arte em Portugal guiado pelos jornais, terá bastante dificuldade em reconhecer um país em crise. Em geral, a resposta que ouço a estas inquietações é qualquer coisa como “Mas nem tudo pode ser político.” – como se houvesse sequer excesso de política na arte e na cultura portuguesa.

Assim, volto ao design, não porque esteja mais interessante – tornou-se no braço armado do empreendedorismo bacôco, inovador, gurmê e pechisbeque – mas simplesmente porque comecei a fazer uma espécie de transumância desiludida. Abandono uma pastagem imbecil e desesperante na esperança que outra esteja um pouco melhor. Até agora nada.

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Filed under: Crítica

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