The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Enjomin

Aprecio o trabalho de editor de Vítor Silva Tavares, gosto de o ouvir falar, gosto do que escreve. Depois de ler o que Hugo Pinto Santos escreveu no Público sobre ele, quase que me arrependia disso tudo. Por temperamento prefiro crítica que fala de obras e não da vida dos autores. É difícil fazer isso com gente como Rimbaud, João César Monteiro, Luiz Pacheco ou o próprio Vítor Silva Tavares, que tiveram vidas deliberadamente rocambolescas, mas é possível. E, mesmo que se acabe por falar de vidas, algum distanciamento seria útil nem que fosse para evitar o enjoo do leitor.

Ora vejam uma pequena amostra (com a graxa e a verborreia mais embaraçosa a bold):

“Com uma generosidade que não escancara a sua nobreza – porque, nesse triste caso, deixaria de o ser –, Vitor Silva Tavares enviou mais poemas do que os dois que deveriam figurar na revista. Assim se chegou, após a publicação inicial, a um conjunto poético que perfazia oito composições, que deixou nas mãos, até hoje gratamente sideradas, de Ricardo Álvaro. Com ele ficou ainda o título que é hoje o mesmo: Púsias. É ele devedor da ironia de Vitor Silva Tavares, e da sua graça (maior e mais total do que o humor). “Tinha-as para aí, mas não sei onde púsias”, terá dito.

A ideia de uma plaquette começou então a fermentar no espírito destes agentes secretos da agitação poética. Aos dois primeiros poemas de Vitor Silva Tavares vindos a lume no referido número da publicação (Je suis prêt e Era uma vez), juntavam-se, assim, os que este príncipe dos editores legava ao espanto crescente dos que iam rodeando este milagre.”

É bastante apropriado que nesta temporada particularmente conformada do nosso país se vote um culto babado aos não-alinhados e aos malditos – sem que se corra sequer o risco (claro) de lhes seguir o exemplo. Caso alguém o quisesse fazer, desconfio que uma boa estratégia seria não andar a debitar tamanhas doses de sacarina em público.

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Filed under: Crítica

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