The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Nova Iorque

Percebi que é obrigatório ter uma primeira opinião sobre Nova Iorque, mais do que uma primeira impressão. É preciso dizê-lo em voz alta ou usando o teclado, porque nos perguntam isso a cada passo. Não podemos guardá-lo só para nós. Mesmo antes sequer de chegar. Vais sentir isto. Vais sentir aquilo. Que é como nos filmes. Que é familiar e não é. Que é vibrante, grande e o resto. É difícil não se vir sem um preconceito.

O que me tem impressionado (para já) são coisas simples que não poderia perceber sem estar cá. A paisagem nesta altura do ano é castanha escura e de aparência seca da cor do tijolo das casas. Todas as coisas parecem ter um aviso que é também uma instrução. Não me espantaria ver um sinal numa porta alertando para o facto de ela abrir. As notas de dólar têm um aspecto artesanal. Por comparação com as notas de euro –  que me fazem lembrar janelas de abertura de programas como o Photoshop ou o Freehand – os dólares parecem papel de embrulho para sabonetes vintage. A maioria dos aparelhos de uso público tendem a estar amolgados e distorcidos. Numa curta viagem de carro e depois como peão senti a condução muitíssimo mais agressiva do que em Portugal. Ouvi mais a buzina em dez minutos do que no último ano inteiro. Chegando do aeroporto de Newark, no meio dos imensos blocos de apartamentos, de prisões atarracadas, de fábricas, de  igrejas de torres afiadas sente-se, mais do que se vê ou se sabe, as silhuetas geométricas, enormes da cidade, tornadas planas e distantes pelo nevoeiro.

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Filed under: Crítica

2 Responses

  1. Muito bom! Gostei muito destas tuas primeiras impressões. Foi um pouco de um regresso ao passado… Quer dizer que nos escreves do outro lado do “lago”? 😉

    Guardo para mim o impacto da chegada ao aeroporto e essa paisagem que descreves. Mas confesso que a minha experiência em relação aos carros foi a inversa… Sim, fazem muito barulho, apitam por tudo e por nada. As rodas chiam e as caixas automáticas acentuam o rugir dos motores v8…. Mas é muita parra e pouca uva. Achei o trânsito lento (mesmo de taxi demora uma eternidade a fazer 5 milhas) e fiquei para sempre a pensar que os nossos motoristas da STCP fariam milagres por aí… De resto achei-os muito cumpridores e respeitadores dos peões… Mas às tantas são as saudades a traírem-me as memórias…

    Mas já me distrai do que vinha aqui escrever. Sobre as notas de Dólar. Subscrevo inteiramente. Tem um ar sujo, velho e completamente anacrónico. E não é à toa que foram alvo de um podcast do Roman Mars. Vale a pena ouvir: http://pca.st/9WiQ

  2. luix diz:

    ny deve ser um mundo á parte pois a impressão que tive nos estados onde estive foi justamente o contrário. todos os carros parecem andar à mesma velocidade (80~90KM/h) e a uma distância segura mesmo numa autoestrada.
    e no subúrbios, é tal a ausência de pessoas visíveis a andar na rua que começamos a dar por nós a imaginar estar a viver num mundo povoado por seres de 4 rodas.

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