The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Sermão

É provável que o género literário mais português de todos acabe por ser, não a ficção, a poesia ou o ensaio, mas o sermão.

Pode ser longo ou breve, pode ser ensaístico ou ficcional, pode ou não ter uma moral, mas aquilo que me interessa aqui é o modo como se põe perante o público: o sermão é por definição paroquial. É deliberadamente concebido para ser ouvido ou lido por uma pequena plateia, na presença de quem o fez. Tal como no facebook, o sermão é um texto (ou qualquer manifestação pública) cujos settings de privacidade se limitam aos amigos mais próximos.

Ou seja, numa época em que é possível publicar instantaneamente, prefere-se quase sempre limitar artificialmente esse alcance. Às vezes, invocam-se razões de legitimidade: um livro é mais respeitável que um eBook; um jornal mais sério do que um blog, etc. No meio académico, a conferência fechada ou a aula são preferidas a simplesmente opinar em público.

Nunca se escreveu tanto para tão pouca gente.

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Filed under: Crítica

One Response

  1. […] esta nova crítica já vai aparecendo, aqui a história é, como de costume, muito diferente e muito paroquial. Mas pensem: se o novo cinema português (por exemplo) também anda a meio caminho entre o […]

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