The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Boas Maneiras

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Não comprei muitos livros recentes em Nova Iorque. Tal como nas livrarias portuguesas, é muito mais barato mandá-los vir pelo correio. Preferi reservar o espaço de mala a livros antigos e volumosos – trouxe muitas coisas do Ballard, por exemplo. Uma das excepções foi este livrinho da Paper Monument sobre etiqueta no mundo da arte. Era barato. Era fininho. Acompanhou-me nas andanças pelas galerias, museus e visitas a estúdios de artistas, onde comecei de imediato a usar os seus ensinamentos.

Da Paper Monument, já tinha lido The Miraculous, que me deixou devidamente boquiaberto: descrições de obras de arte sem usar nomes próprios de artistas, críticos, movimentos, conceitos ou instituições. Meras descrições – um insulto que se costuma atirar à má crítica. O que sobra nestes relatos anónimas é de facto milagroso, o desfazer daquilo que se interpõe entre nós e a arte, e a sugestão de outras formas de mediação, que não são mais simples, que não são mais fáceis, caso contrário este livro não seria novidade nenhuma. Como a melhor e como a melhor crítica, só parece simples.

I like your work também parece óbvio, também parece uma piada – tratar frontalmente através de inquéritos a artista o assunto mais óbvio e ao mesmo tempo menos comentado em voz alta do mundo da arte (tirando a própria arte é claro): as boas maneiras. É um ambiente altamente ritualizado, cheio de formalismo nunca formalizados, onde só se desconfia que se pode ter dado um mau passo depois de o ter dado (mas só raramente se sabe o que foi, a quem ou como — a menos que seja deliberado).

O assunto é tratado de modo “científico”, através de inquéritos a artistas (alguns preferem o anonimato; outros preferem responder através de ensaios). Parece um formato seco; esperava piadolas, mexericos e conselhos óbvios. Encontrei tudo isso mas de um modo íntimo que não estava à espera: a consciência (o choque) que a arte tem a sua etiqueta própria tem-se quando se entra; assim, a maioria destes pequenos inquérito contam histórias de começos, de primeiras lições, de erros, mas também tolerâncias para com eles, lembrados muitos anos depois.

Filed under: Crítica

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