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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Grandes Heróis Marvel do Design

Durante anos dei história do design gráfico à antiga, pelo calhamaço do Meggs. Porque era fácil, porque se percorriam os “grandes nomes”, os Rands, os Glasers, os Behrens, etc. Pontuava isso com a história mais marxista de Richard Hollis que deixava os nomes para o fim, depois dos países, dos géneros de trabalho e das tecnologias, mas no fim de contas seguia o Meggs, em grande medida porque era isso que se esperava e porque não havia grandes  alternativas.

No começo de cada ano, muitos colegas meus apuravam os conhecimentos dos alunos pedindo-lhes uma lista de nomes. Que designers conhecem? Se não sabiam era porque eram ignorantes.

Para mim, a história do design da Johanna Drucker e da Emily Macvarish foi uma revelação: abandonavam o formato da anedota biográfica e relegavam os grandes nomes para a letra miudinha. Iam atrás de formatos menos fotogénicos como os menus de restaurante, as facturas e os bilhetes em detrimento dos posters e dos logotipos. Não era uma história de heróis em geral masculinos, do norte da Europa ou da América, mas abria espaço a formatos subalternos, que por sua vez abriam a discussão do design às mulheres, às minorias, a formatos não empresariais, periféricos, etc.

Soube que, em certas escolas Alemãs, a história era dada de um modo não cronológico mas assente em temas e decidi fazer o mesmo. Organizei o semestre em módulos, entre outros: “O Design como engenharia social e política”; “Design e cultura de massas”; “Design e Contracultura”; “Design como serviço” A ideia é tratar o mesmo período através de lentes muito distintas: o design ao serviço do Estado e o design ao serviço da iniciativa privada; o design como mecanismo de Estado e como ferramenta de contestação, etc.

De vez em quando apanho algum aluno que se queixa que não ensino o essencial, que em geral significa o Meggs. O que me custa mais no ensino actual é ir lendo e ir aprendendo, e todos os anos perceber que pouca diferença faz. Que o que as pessas querem é uma lista de Nomes organizadinha cronologicamente. Já experimentaram ir ao Buzzfeed?

Filed under: Crítica

One Response

  1. cb diz:

    como me disseram à pouco sobre um texto que afinal teria que ter a dimensão de uma boa sinopse, “o que querem é investigação light!”

    … continua

    cb

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