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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Os Nomes da História

Se os novos e os velhos designers têm dificuldade a perceber quais os malefícios de uma história da disciplina centrada em Nomes de Grandes Designers, façam o favor de aceitar um exemplo desses problemas, ou mais exactamente, um comparação: o João Miguel Tavares, em particular nos seus últimos textos sobre categorias de emprego e de desemprego. Para Tavares, ou há empregados ou desempregados. Não há gradação possível. Não lhe interessa saber se são estagiários, subempregados, inactivos ou o que quer que seja. O que se perde é a representação de um conjunto de experiências e identidades dentro da democracia, onde ter uma representação pública é o literalmente o mesmo – quem não é representado é como se não existisse.

Dentro da história “clássica” do design, ou há grandes nomes ou há anónimos, vernaculares. E os estagiários, os colectivos, os que fazem design mas não tiraram o curso, os que tiraram o curso mas não fizeram design? Nem caio na asneira comum de invocar o “Desde que tenham feito bom trabalho” porque também aqui há gradações: um poster para o teatro ou um logotipo tem bastante mais hipótese de ficar para a história que um outdoor do PS ou que um rótulo de iogurte. Um designer que trabalhe em Lisboa tem mais hipótese de aparecer que um da Covilhã. Um designer que uma designer.

É preciso dizer mais? Se for, por favor não me moam a cabeça e vão antes ler isto.

Filed under: Crítica

3 Responses

  1. Alberto Pereira diz:

    Touché. Se a leitura do JMT for demasiado penosa, ou o exercício crítico sobre as suas vacuidades se tornar difícil, deixo uma sugestão de leitura, que me parece apropriada:
    http://albertopereira.com/essays/why_have_there_been_no_great_women_artists.html

    Um excerto:
    «[…] the total situation of art making, both in terms of the development of the art maker and in the nature and quality of the work of art itself, occur in a social situation, are integral elements of this social structure, and are mediated and determined by specific and definable social institutions, be they art academies, systems of patronage, mythologies of the divine creator, artist as he-man or social outcast.»

  2. isa diz:

    A minha eterna duvida é: sendo o que descreve tão claro para alguns, porque é que se matêm essas praticas de nomeação n’outros? Seria uma tese com muita sociologia, ou mesmo em sociologia do design, mas não. não há, ainda.

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