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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

A História continua…

Ainda em relação ao sexto volume da colecção da História do Design português, tenho sido interpelado quase diariamente sobre o assunto – porque fui demasiado brando. Já me habituei à contradição aparente de ser considerado duro no que digo em público enquanto a maioria das pessoas com quem falo tem opiniões bem mais extremas que a minha. Para algumas pessoas é sempre um escândalo, não apenas os assuntos a serem criticados mas a suposta anemia da reacção crítica. A isso só posso sugerir que escrevam a sua própria reacção – embora, dada a pouca probabilidade de isso acontecer, já não consigo dar esse conselho sem sentir que estou a cometer uma ironia. Para outras pessoas, a coisa faz tão pouco sentido que nem acreditam: não deve ser só isto, não é a sério – um designer de equipamento com quem falei estava completamente convencido que, dada a pouca representação da sua área, os dois volumes seguintes seriam dedicados a isso e não a uma cronologia. Foi difícil convencê-lo do contrário.

Nenhuma História é perfeita. Já tenho lido bastantes histórias do design português inseridas em teses de doutoramento sobre o assunto – tenho um fraquinho pela que o Robin Fior escreveu como parte da sua investigação sobre o Sebastião Rodrigues, mas há outras, claro. Poucas se centram na contemporaneidade, o que exige alguma coragem e muito mais argumentação do que numa mera crítiica ou numa história mais distante. Outras histórias tirarão lições desta.

Para além do que já disse no meu primeiro texto, não tenho muito mais a acrescentar,¹ excepto repetir que deveria ter havido bastante mais cuidado ao apresentar num trabalho de história iniciativas ou instituições onde os autores da obra trabalharam ou trabalham. Nestes casos, não basta a mera referência bibliográfica e deverá ser feita uma declaração de interesses. Fica também uma sensação que a Esad de Matosinhos está desproporcionalmente representada, mesmo tendo em conta que é uma escola de importância inegável, etc. Se calhar a impressão até só vem de se estar a ser juiz (ou historiador) em causa própria. O mesmo quando se abre a história dos últimos quinze anos com o lançamento desta colecção no âmbito do Ano do Design. Quando li até pensei que fosse uma introdução institucional. Não é habitual o “patrono” colocar-se a si mesmo na história.

É verdade que o design português ainda é uma área relativamente nova, mas não é pequena, nem os últimos quinze anos tiveram falta de iniciativas. Seria possível abranger mais áreas e instituições, ou simplesmente procurar dar-lhes um grau de comentário maior.

1. Há questões de pormenor, mas duvido que lhes pegue se não fizer uma recensão crítica de maior folêgo.

Filed under: Crítica

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