The Ressabiator

Ícone

Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

A arte e o design e a arquitectura que não merecemos

28abc345-65d7-4ad0-8e08-cdca1d51f9ec-620x372

Na shorlist para o Turner está um colectivo que faz intervenções urbanas, espaços temporátios, cinemas em bombas de gasolina, jardins em bairros sociais, casinhas encaixadas entre as plataformas elevadas de rampas de acesso. E um colectivo a sério, que toma decisões em conjunto, etc. não apenas de “arquitectos” – nem sequer estão formados – mas de historiadores, filósofos e técnicos. No Público, alguém diz que “são como um colectivo modernista dos anos 1930”.

Quem está atento ao que vou escrevendo por aqui, perceberá imediatamente que tudo isto é música para os meus ouvidos. Mas também acentua uma frustação: há práticas semelhantes a acontecerem neste momento aqui em Portugal – só assim de repente lembro-me da Oficina Arara – mas tanto a crítica como as instituições (museus, bienais, trienais, etc.) não conseguem ou não querem lidar com colectivos. É perfeitamente banal inserir várias disciplinas, intervir socialmente, etc. mas apenas se isso estiver integrado dentro de contextos pesadamente comissariados, que lhe fazem perder a eficácia, e são inevitavelemnte subalternizados em relação à figura do Artista, Arquitecto ou Designer com A grande. Por um lado, isto é a crise e o modo como se responde a ela: sonhar com figuras de autoridade que lhe parecem escapar. Por outro, o criador isolado (ou quando muito aos pares) é bastante mais fácil de encaixar dentro do esquema do comissariado contemporâneo do que um colectivo, que tem as suas hiearquias próprias.

O que alegra no Turner é alguém do júri ter dito “porque não?” e ter escolhido uma coisa tão obviamente fresca em relação ao contexto actual, em relação àquilo que se espera de uma obra e de um artista, da listinha de compras que é preciso cumprir. Mais uma vez confirma-se que a política está na moda, e confirma-se que isso até pode ser uma preocupação estrutural, activa e não apenas a documentação lenta e pasmada da sua ruína como tem sido hábito por aqui. Pode ser que a coisa pegue, se não por iniciativa própria, até já me basta que seja como de costume, para Inglês ver.

Filed under: Crítica

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Arquivos

Comentários Recentes

Mário Moura em Occidente, 1889
Augusto José em Occidente, 1889
Francisco Choupina em No Terraço
Marco em Onde
Candeias em Boletins

Arquivos

Categorias

%d bloggers like this: