The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Leituras

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Ainda não estou de férias, antes pelo contrário. Aproveito para pôr as leituras em dia. Ando a ler e reler clássicos acumulados da história do design.

The Form of The Book, de Jan Tschichold, uns dez anos depois. Agora, parece-me mais um ensaio de deontologia do que de book design. Não dá dicas formais (aumentem a entrelinha, etc.) mas identitárias e morais. Sempre que é dado um conselho é dado inscrito num código moral. O subtítulo não engana: “An Essay on the Morality of Good Design.”

Outro tratado de moral: “Good Design is Goodwill” de Paul Rand. Inscreve-se na longa tradição de prosa de auto-ajuda para designers. Coisas muito críticas, da clientela, do mundo, das hierarquias, mas que para os próprios designers funcionam como um copo de leite quentinho depois de um dia mau. Ai que somos tão importantes! Se mais alguém percebesse! Não tenho paciência para estas coisas que andam entre a lamúria e o gabarolanço.

Mais interessante tem sido o Theory and Design in The First Machine Age, de Reyner Banham, mais centrado na arquitectura e com uma obsessão datada pelo cimento, mas que consegue ligar o que os livros de história habitualmente separam em quadros e caricaturas confortáveis, fáceis de memorizar. É uma história assente em detalhes concretos, em pessoas credíveis e não apenas em anedotas heróicas.

Fora do design, tenho tentado perceber as tendências que vou observando no mundo da arte. Afinal, já há um nome para isso: Post Internet Art. Arte produzida quando a internet já não é uma coisa nova. Inclui o virtual, o branding, a moda, etc. Como de costume, é mais interessante quando descrito por quem desconfia da coisa. Neste último caso, resume-se a tendência como obras de galeria que são produzidas para que sejam o mais fotogénicas possível na internet ou no catálogo – objectos relativamente insonsos que ganham vida com uma boa fotografia (ver o exemplo acima). Parece-me duro demais, mas deixa pistas: é uma arte que, apesar de supostamente irreverente, enquadra sempre essa irreverência no contexto expositivo do museu ou da galeria e insiste nessa continuidade entre o online, o virtual e a instituição artística. Conservadora e calculista, é a conclusão do crítico. Eu acrescentaria que é uma arte que interioriza a maior preocupação estética dos últimos anos, as estratégias e conceitos de exposição, o comissariado, a curadoria, mantendo o seu referente óbvio – o espaço expositivo – no enquadramento, enquanto aponta outras possibilidades – o virtual, o online, etc.

Filed under: Crítica

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