The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

O Toque de Midas

A propósito do texto anterior, houve quem dissesse que era uma análise política por oposição a uma análise do design. Eu não vejo diferença. Dizer que um logotipo feito para um serviço público está mais ou menos conseguido é irrelevante. O que interessa verdadeiramente é que está a ser feito um logotipo para um serviço público. É uma preocupação política mas o design também é uma actividade política – decide como se devem apresentar graficamente instituições, serviços e pessoas. Neste momento, o que está na moda é apresentar tudo isto com as mesmas ferramentas com que se identificam empresas. Não é um desenvolvimento inevitável. Já houve épocas em que o design representou outras coisas, de outras maneiras. Mas, neste momento, aquela parte do design que representa empresas confunde-se com a totalidade do design.

Se quiserem uma comparação, com a Arte passa-se o mesmo. É uma área que reclama uma universalidade mas na prática legitima preferencialmente objectos feitos por profissionais (artistas, curadores) mediadas por uma gama reduzidíssima de instituições (galerias, museus, revistas). Nietzche defendia na Genealogia da Moral, que a origem das qualidades morais começava por ser uma descrição das qualidades das elites – tal sujeito é um cavalheiro, etc. A estética tem uma genealogia semelhante. O design, idem. As qualidades do design gráfico, quando isolado de preocupações políticas óbvias, quando não é político, quando é apenas design, são as que representam o poder, neste caso um poder que recria o mundo à imagem de uma empresa.

O risco de ignorar esta política por defeito do design é incorrer num cinismo corporativo involuntário, acreditar que não há alternativa, que o design é aplicar logos a tudo o que mexe. Tal como dizia Benjamin, o papel político do designer não reside em fazer trabalhos de temática política para clientes políticos em situações políticas mas perceber qual o papel político que o design desempenha. Sem isso, corre-se o risco de vestir sem ironia nenhuma causas e iniciativas com as cores e os valores do adversário.

Filed under: Crítica

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