The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Automatizem os bancos

Já agora, continuando a desmontar o argumento que defende que a automatização vai baixar os salários e eliminar os empregos. O emprego mais lucrativo do mundo é quase totalmente automatizado. Estou a falar do sector finaceiro onde boa parte das decisões são neste momento feitas por software bastante autónomo, onde o que conta é a quantidade inumana de transações e a sua rapidez igualmente transcendente (veja-se o livro Flash Boys, de Michael Lewis, por exemplo). Seria de esperar que esta automatização da especulação acabasse por a desvalorizar ou trivializar. E não, não me venham dizer que a alta finança é essencial. Não só provocou uma crise mundial por pura incompetência estrutural como é, nas palavras de Mark Blyth, o autor de Austerity, History of a dangerous idea,:

“part of the information system of the economy: linking borrowers and lenders while sitting in the middle collecting a fee. It’s not an industry in the traditional sense, and it certainly should not have been producing 40 percent of corporate profits in the United States on the eve of the crisis”

Aliás, Blyth defende que o sector financeiro acabará por desaparecer mais tarde ou mais cedo porque a) é na melhor das hipóteses inútil b) não é sustentável (em termos humanos, ambientais, etc.) Porque continua o sector financeiro a existir, então? Por pressões políticas, claro. É aí que residem as decisões e não numa espécie de fatalismo tecnológico que dita que a história parou e que portanto os empregos vão todos desaparecer menos os de uma meia dúzia de especuladores hereditários.

Assim quando se diz que uma classe média não é sustentável porque o preferível é ter empreendedores, lembrem-se de quem fica a ganhar. Nos cursos de empreendedorismo dos centros de emprego, por exemplo, ensina-se os desempregados essencialmente a endividarem-se, porque disso que se trata quando se fala de financiamento: alimentar o sector financeiro. Lembrem-se também do paleio sobre os empregos de antes da crise que não eram sustentáveis, porque “não eram reais” – pagos por uma economia “distorcida” pelo “peso do estado”, “sustentados pelo endividamente público”. Lembrem-se que o emprego de quem fomenta essa convera é simplesmente mudar quantidades de informação de sítio, sem acrescentar qualquer tipo de mudança substantiva ao mundo.

(republicado do meu facebook)

Filed under: Crítica

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