The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

O “Centro”

Costa não perdeu porque tentou captar os votos da esquerda. Na verdade, nem sequer tentou. Ter um programa económico não chega. Era preciso ter um programa político. E era preciso ter bastante cuidado. Disse uma série de coisas durante a campanha que me puseram os pêlos todos no ar. Aquela idiotice de pôr os refugiados a limpar matas. Como é possível dizer uma coisas dessas e esperar que alguém de esquerda vote nele?

Os do PS ainda acreditam que estão no centro, que são sensatos, que podem conciliar tudo e todos, que a política se discute à porta fechada antes de pôr a coisa perante os outros. Mas o “centro”, esse lugar utópico onde estão o senso comum e os compromissos, não existe. É o sítio onde está toda a direita portuguesa que se acredita moderada até quando recusa um refugiado porque pode “ser um terrorista”, que pensa que está a ser cautelosa quando sacrifica uns tantos hospitais, reformados e escola às manias austeritárias dos Alemães, que acredita piamente que é aceitável ir destruindo o país a troco de dinheiro da Europa.

É nesse centro que estão os que escolhem votar PSD/CDS. Vêem isso como uma decisão difícil, não ignoram que o Governo mente, é corrupto, que as políticas não são as que “verdadeiro liberal” ou até um “verdadeiro democrata” seguiria, que sacrificam pessoas e bens, mas por ser difícil ainda ficam mais convictos da racionalidade e da imparcialidade da sua escolha.

Não há centro. Há um sítio onde não se acredita na política como uma coisa que se discute em voz alta fora de casa, onde se assume, por falta de experiência e porque se vive trancado na televisão ou no mural do facebook, que toda a gente pensa do mesmo modo.

O mesmo se passava com a esquerda até esta crise ir avançada. Com os refugiados percebia-se de repente que até se tinha amigos xenófobos. Nesse caso, o “centro” abriu a boca, porque percebeu que se não o fizesse, as coisas aconteciam mesmo, a Alemanha (a grande rede de salvação do “Centro”) parecia que se tinha esquecido e preparava-se para receber os refugiados.  A esquerda foi percebendo que era a única que acreditava na política, em discutir em público, mas que lá fora no escuro estava uma grande massa de “senso e comum” e de “centro”, que só fala em público através de voto e isso basta.

Costa e o PS, que pateticamente acredita que com Seguro tinha sido diferente, ainda acham que há lugar para eles no “centro”. Ou acordam ou vão perceber que as próximas eleições ainda vão ser piores para eles.

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Filed under: Crítica

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