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Um Filme de Sons Que Se Lê

As-1001-Noites-2015-de-Miguel-Gomes

Saí agora do último 1001 Noites, “O Encantado”. Só me dei conta quase no fim que tinha lido um filme quase todo. De legenda em legenda, desde as amarelas que contavam histórias, às brancas que traduziam o que um actor estrangeiro dizia, é um filme cheio de sons que se lê. No meio dos sons e das palavras percebe-se de quando em quando portugueses que falam. Calculo que um francês ou um inglês vissem um outro filme. E um alemão (penso que não havia ninguém a falar essa língua) teria que ler a totalidade do filme, ou talvez dobrassem, o que neste caso (como noutros) seria um pouco absurdo.

E chega-se ao fim, e tal como nos outros dois filmes, há um indice, também ele uma legenda. É um filme-livro. Lembrou-me um pouco o Moby Dick, porque também aparecia (não neste) uma baleia, mas pela quantidade de dispositivos narrativos: desde cenas teatrais até verbetes de enciclopédia. Havia um capítulo onde as diferentes baleias eram classificadas como se fossem livros, as baleias in folio (as maiores), in quarto, in octavo, etc. – um livro onde tudo se parecia com uma baleia e tudo se parecia com um livro.

É um filme que merece bem o seu nome: “O Encantado”.

Filed under: Crítica

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