The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Consumo

Ontem, fui ver o Lipovetsky ao Futuro do Futuro. Às quatro da tarde, já não havia bilhetes para a sala principal, acabámos a vê-la através de um ecrã no pequeno auditório. Começou com bastante atraso. Passámos o tempo a ver as pessoas a entrar para sala principal através do vídeo. Celebridades como o Presidente da Câmara, Rui Moreira, antigos alunos ou colegas. Olha!! Lá vai o não-sei-quantos! A dada altura, um infeliz levantou-se e deixou acocorado o seu lugar, o rego perfeitamente visível para risota da nossa plateia. Quando a conferência finalmente começou, o enquadramento da câmara propositadamente amplo para abarcar o cartaz do evento atrás do palco fazia de Lipovetsky meia dúzia de pixeis a gesticular em francês.

Falou longamente da felicidade e, no geral, não se podia discordar. Excepto quando criticou o consumo, chamando-lhe hiper-consumo. Dizia que era preciso assegurar felicidade para além disso. Antes desta crise, talvez concordasse com ele, mas neste momento, em Portugal e calculo que entre outros sítios, o discurso dominante – o do Governo, por exemplo – é totalmente anti-consumo. Só é bem visto gastar dinheiro em alguma coisa se for um investimento, se isso puder ser justificado como parte de um empreendedorismo qualquer. As pessoas activas empreendem, o que sobra consome. A conversa de encontrar felicidade e sentido na vida para além do consumo é uma conversa que já foi apropriada pelo paleio neo-liberal há muito tempo – essa felicidade é sinónimo de uma empreitada qualquer. Neste momento, o discurso do poder, da austeridade, é anti-consumo: vivemos acima dos meios, etc.

O consumidor já só é visto como um subproduto desagradável da produção de bens e serviços – se possível era totalmente eliminado. Daí que esteja cada vez mais confinado dentro de uma série de contratos legais, fidelizações, que o prendem aquilo que deve consumir – água, luz, telefone, TvCabo. Se o consumidor já foi visto como um agente, a tomar decisões livremente, agora é uma forma de gado que é preciso ir trazendo de volta ao curral.

Filed under: Crítica

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