The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Com grande poder vem uma grande poesia

O que mais aprecio neste momento numa história de super-heróis é o lirismo. Não falo dos filmes mas dos comics, e quando digo “momento” estou a ser rigoroso: esta nesguinha de Verão enquanto já não tenho de dar aulas mas as férias ainda não começaram. Só me resta tempo para ler ou reler coisas curtas e rápidas. Assim, todos os anos tendo a voltar a um pequeno grupo de histórias, coisas obscuras e excêntricas. Mini-séries ou séries canceladas à margem dos intermináveis eventos que organizam agora as histórias de super-heróis: salva-se os universos, a realidade, a parada é sempre alta como aquelas músicas que parece que estão sempre a subir mas não vão a lado nenhum. Contra isso prefiro os super-heróis que salvam o universo mas de um modo mais intimista, mais alternativo. As coisas continuam a ser épicas e cruciais mas há poesia e absurdo. Exemplos. Seven Soldiers, escrito por Grant Morrison e desenhado por muita gente. Uma ameaça cósmica ameaça a realidade e só um grupo de super-heróis que nem sequer sabe que é um grupo de super-heróis lhe pode pôr cobro. Assim temos sete histórias auto-contidas que só se relacionam tangencialmente. O leitor no final fica na posse da história toda. Os personagens nem por isso. Marvel Boy, também de Morrison. Um soldado adolescente de um império anarco-fascista é o único sobrevivente de um naufrágio interdimensional na Terra. Caçado por um milionário coleccionador de absurdos e por agências governamentais, decide tomar a iniciativa e conquistar o planeta sozinho. Outro exemplo, o que ando a reler este ano: Defenders (2012), de Matt Fraction e (salvo erro) Terry Dodson. Embora Morrison seja o mestre do género, Fraction não fica atrás. Com Defenders aproxima-se ao que seria ler uma história de super-heróis escrita por Rimbaud – ou pelo menos António Maria Lisboa. Criam-se constantemente imagens e ideias a partir de justaposições inesperadas de linguagem. A cada quadradinho um universo, um superpoder ou uma sensação inédita.

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Filed under: Crítica

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