The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Vidas Subversivas

Ainda por causa do projecto Páginas Inquietas, ando a ler Ecology or Catastrophe: The Life of Murray Bookchin. Cheguei a Bookchin porque era considerado uma influência pelos Up Against That Wall Motherfucker. A curiosidade aumentou quando soube que também tinha sido uma influência na criação do sistema político usado pelos Curdos do PKK (uma forma de municipalismo, um derivado do anarquismo). Na biografia, também são visíveis outras ligações, a Judith Malina, do Living Theatre, por exemplo. E algumas colisões: com os Situacionistas, por quem a antipatia era evidente mútua era evidente: Bookchin seria tipicamente insultado ao tentar mediar um encontro entre Morea (dos Motherfuckers) e Vaneigem. Finalmente os Situacionistas ingleses seriam expulsos em bloco por se darem com Bookchin, Morea, etc. Uma telenovela que só sublinha o lado autoritário e mais irritante do Situacionismo.

Bookchin considerava o que os Motherfucker faziam como uma forma de teatro de rua:

«Morea thought he could incite people to a revolution with artistic antics, but street theater “rarely makes [people] think, and it can get out of control and undermine serious organizations.” Above all, it could make you lose sight of politics, which had to be the top priority. “However personalized, individuated, or dadaesque may be the attack upon prevailing institutions, a liberatory revolution always poses the question of what social forms will replace existing ones”— that is, what concrete institutions, what forms of freedom. Art cannot answer that question. Serious revolutionary thought must “speak directly to the problems and forms of social management.”»

O percurso de Bookchin começou pelo Comunismo, continuou pelo Trotskismo, passou pelo anarquismo e terminou no seu municipalismo libertário. Abandonou o anarquismo porque considerava que a própria expressão se tinha tornado sinónimo de não-adesão, de estilo de vida, etc. A anarquia como logotipo inconsequente para chatear os papás popularizada pelo punk.

A biografia é um verdadeiro “quem é quem” dos movimentos de intervenção política em Nova Iorque no século XX e do modo como se foram ligando aos do resto do mundo: aparecem os anarquistas espanhóis da Guerra Civil, os Provo, o Maio de 68. Como texto e como documento, cai demasiadas vezes numa apologia acrítica de Bookchin que é sempre apresentado como mais sensato e sábio que quase toda a gente que encontra.

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Filed under: Crítica

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