The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Só por causa das coisas

Só pedia uma coisa simples: não me venham acusar de censura ou de superioridade moral ou de não respeitar os pontos de vista alheios (ou outras tretas do género) quando não me apetece ficar preso numa discussão em loop no blog, no facebook ou em outro sítio qualquer. Podem falar o quanto quiserem, do que quiserem, até quando quiserem, mas não caiam na chantagenzinha de obrigar alguém a ficar a ouvir-vos. Não é censura, nem falta de respeito encerrar uma discussão sem haver um “lado vencedor”. Fazem-me impressão as discussões em que alguém não deixa o interlocutor ir embora. Já vi ao vivo várias vezes isso acontecer e é um sufoco.
Eu não discuto sob a premissa que estou a mudar os princípios ou sequer as opiniões do interlocutor. Assumo que quem discute comigo tem tantas convicções naquilo que acredita como eu creio nas minhas. Mudar de opinião ou de princípios não é impossível mas é raro. Discute-se para refinar e aprofundar os pontos de vista mútuos não para os aniquilar. Não assumam que por dizerem os vossos pontos de vista de um modo educado, estruturado e competente, isso levará o interlocutor a mudar de ideias, quando muito só levará a sério aquilo que estão a defender – o que não é, nem devia ser, o mesmo. Não assumo que as pessoas discordam de mim por ignorância e espero a mesma delicadeza. Há muitos, muitos anos, numa aula de estética o meu professor Álvaro Lapa disse que havia uma altura na vida em que se acredita que se pode mudar a opinião dos outros em discussões de café. Na altura não percebi mas ficou-me.
Assumo também que quem participa numa discussão tem as suas razões para falar. Não é isso que põe em causa o que defende. Não é por alguém ser de esquerda, de direita, não acreditar em partidos, ser homem, ser mulher, ser de Lisboa ou do Porto que dá legitimidade ou não a um argumento. Tento nunca assentar a validade de um ponto de vista nas intenções de quem o profere. Toda a gente tem um motivo para falar. Por isso, para mim quando se chega à parte da discussão em que se acusa o outro com base nas suas intenções, na psicologia ou na sua superioridade moral é sinal que a discussão já devia ter acabado. Quando se discutem as intenções já se anda nos territórios do insulto.

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Filed under: Crítica

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