The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Outros Olhos e a Vida às Camadas

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Desde anteontem que tenho apanhado gente a discutir este anúncio. Ou simplesmente a postar uma foto como se fosse óbvio o interesse positivo ou negativo da imagem. Seria um anúncio completamente banal excepto pelo facto de colocar um homem numa posição onde normalmente é colocada uma mulher. Discutiu-se a objectificação, brincou-se que também podia ser dirigido a homossexuais, o que só mostra como é embaraçoso discutir o corpo masculino como objecto de desejo. Sobretudo entre heterossexuais. Não há vocabulário. Pelo contrário, entre as mulheres boa parte da sua identidade é construída em função disso, o que significa que se vêem a si mesmas em função do modo como os homens as olham. Nada que a teoria feminista já não se tenha fartado de analisar. Mas sempre que aparece um destes objectos o embaraço é o mesmo – desde os metro-sexuais até ao “alto” da estátua de Ronaldo.
Outro detalhe que passa desapercebido a muitos dos meus amigos do facebook, é este mupi só ser uma parte da campanha. Faz pandã com o anúncio de televisão que conta o resto da história (na verdade, a história toda), onde a mulher prefere a margarina ao “pão”. Mais uma vez nada de novo, excepto a auto-ironia fácil. Já não é a primeira vez que fico de cara à banda a olhar para anúncios que não se percebem quando não se vê televisão. E pelos vistos não sou o único. Ontem li em qualquer lado que já há crianças criadas a ver o netflix que não sabem o que é um anúncio publicitário. Não será o fim da publicidade ou sequer do spot publicitário, mas talvez apenas o da campanha concertada com objectos que se reforçam uns aos outros.

O problema menos evidente e mais grave que anúncios como este levantam é político e social. Quando só se tem acesso a uma parte da mensagem, criam-se desníveis e mesmo fracturas de interpretação. O caso mais óbvio é o do clickbait. Quando um jornal faz uma manchete bombástica que empola ou falsifica o conteúdo da notícia, a maioria dos não-assinantes só vê o lado falso e bombástico. Uma notícia verdadeira com uma mau título não é diferente de uma falsa para quem só lhe vê o título. Daí que que o clickbait sistemático seja uma prática perigosa que não é suficientemente avaliada.

(imagem roubada à Gui Castro Felga)

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Filed under: Crítica

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