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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Fast food

Mais outra embirração favorita às sextas: a crítica de cinema de Luís Miguel Oliveira. É uma seca porque é sempre a mesma coisa. O homem tem um espaço minúsculo para expor as suas ideias e gasta-o sempre da mesma maneira.

Esta semana dedica uma colunita ao filme A Quiet Place. Esbanja o primeiro parágrafo a admitir que o filme provocou discussão nos Estados Unidos. Há sempre uma parte das críticas do Luís Miguel Oliveira onde se revela que o filme é apreciado ou difamado em outro sítio. O segundo parágrafo é gasto a conceder algumas qualidades que justificam essa discussão, mas que «Nem tanto ao mar nem tanto à terra». A conclusão, que surge no terceiro e último parágrafo, tão inevitável e entusiasmante como uma conta da luz, é que, acabado o visionamento, tudo o que filme tinha de bom se desvanece:

«A prova disso é que, se não há um momento de fastio durante o tempo da sua projecção, cinco minutos depois de terminada a memória começa a ter dificuldades em restitui-la, e o filme vai “desaparecendo” como se não tivesse sido capaz de se constituir em “objecto”, sólido e palpável.»

Espera. Enganei-me. Peço desculpa. Isto é sobre o Ladybird. Sobre o A Quiet Place é isto:

«É uma ideia que [se] aguenta com garra ao longo de todo o filme, mais uma prova de que as lições do cinema mudo andam injustamente esquecidas. Mas, depois da projecção, o rasgo desvanece-se e o que falta no filme começa a vir ao de cima.»

É, no fundo, tal e qual uma crítica do Luís Miguel Oliveira.

Aquilo não chega a ser o McDonalds da crítica de cinema. Aquilo é a versão gourmet e enjoada do McDonalds. É uma coisa demasiado pretensiosa para fazer de conta que é McDonalds e só consegue fazer de conta que é o H3. O menu é sempre mesmo. Pode-se escolher batata ou arroz. Há a liberdade suprema de optar por limonada ou Coca Cola e de levar um pãozinho minúsculo embrulhado em plástico. No fim, arrota-se, encerrando-se uma experiência desenhada para sossegar snobes que nunca seriam apanhados mortos num centro comercial mas acabam sempre por ir lá ter.

A crítica do Luís Miguel Oliveira é o mesmo. Uma fórmula modular sempre com os mesmos ingredientes mas que quase consegue dar a ideia que só é uma fórmula porque os filmes é que não prestam. É como alguém que come sempre num pseudo-H3 mas consegue dar a ideia que só lá vai porque não encontrou nada melhor, porque não tem tempo. Porque tudo o resto é pior. É um snobismo enlatado.

ERRATA e PEDIDO de DESCULPAS: Tenho que pedir desculpa aos meus leitores e ao Luís Miguel Oliveira. A crítica que lhe atribui neste post afinal era do Jorge Mourinha. No texto, tentava eu (na minha irritação) demonstrar que as críticas de Luís Miguel Oliveira eram todas iguais. Acabei por demonstrar que não sou uma pessoa muito atenta às minúcias e acabei por descobrir (totalmente sem querer) que também são iguais às do Jorge Mourinha – tanto na estrutura como nos tiques. Peço desculpa também a este último. De futuro, quando me quiser referir à minha embirração com a crítica de cinema do Luís Miguel Oliveira, visarei a minha fonte de irritação correcta que é a crítica de cinema do Ípsilon.

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Filed under: Crítica

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