The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Os «a-Ha»

Se há coisa mais maçadora, é a análise crítica praticada através dos «a-ha!», como por exemplo: «A-Ha! Dizes que se fala pouco sobre mulheres no design mas no mês passado saiu uma revista sobre mulheres no design!» Não é um grande a-ha, aliás é uma falácia. É como o Trump dizer que não há aquecimento global porque houve um nevão na semana passada. Uma coisa são exemplos pontuais outra coisa são tendências. Tem-se falado mais sobre mulheres tanto no presente como na história do design mas continua a ser insuficiente. É fácil constatá-lo consultando qualquer história do design. Há muito trabalho científico relacionado sobre o cânone do design que incide sobre isso, a começar com os de Martha Scotford ou Erica Nooney.

Outro «a-Ha» comum, no meu caso, é o de ser acusado de fazer biografias quando critico as histórias do design excessivamente centradas em biografias. Para perceber o que quero dizer basta comparar a história do design de Meggs com a de Emily McVarish e Johanna Drucker. Enquanto a primeira estabelece uma linhagem contínua de praticantes, inventores, a segunda faz uma história baseada em conceitos, tecnologias, mudanças sociais, etc.

Voltando aos A-Ha, mesmo quando se faz uma história como a de McVarish e Drucker é impossível excluir os pormenores biográficos, mas enquanto no texto de Meggs são o assunto central, ao ponto de parecer um longo encadeamento de biografias, nesta costumam aparecer nas legendas das imagens e não no corpo de texto. Um pormenor simbólico.

Uma parte da minha investigação doutoral incidiu no modo como os designers representam a sua própria identidade através de dispositivos gráficos como este. O tema foi o uso da biografia e em particular a auto-biografia dentro do design. Se a biografia é comum ao ponto de se tornar a muleta das histórias do design, as auto-biografias são vistas como projectos de vaidade.

Interessa-me a construção de identidade, e interessa-me o modo como os designers constroem a sua própria como praticantes. Gosto bastante do formato enquanto objecto de estudo.

Daí que seja particularmente cómico quando alguém me pergunta porque trabalho ou uso a biografia quando critico histórias do design demasiado centradas na biografias.

Filed under: Crítica

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