The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

A boa educação

Sou a favor do politicamente correcto em dois sentidos.

No sentido de uma forma de educação ou de cortesia para com minorias tradicionalmente oprimidas. Parte dessa tradição é oral e iconográfica. Toma a forma de anedotas, de frases feitas, de caricaturas, etc. Chamar cigano a um ladrão, judeu a um ganancioso, mulher ou maricas a um cobarde, não são só vestígios mas formas activas dessa opressão, atribuindo as mesmas más características a um grupo inteiro. Não se faz isso por falta de educação mas porque ainda se foi educado assim. Quando as pessoas protestam contra o politicamente correcto é porque percebem que foram mal educadas. Que a sua própria cultura os educou mal. Mas a educação pode mudar se assim a deixarem.

E aí chega-se ao segundo ponto, sou a favor do politicamente correcto no sentido do Estado e das suas instituições usarem de uma linguagem inclusiva e praticarem o mais possível a igualdade de género, étnica, etc. Porque é a maneira mais eficaz da educação mudar.

Compara-se muito a liberdade de expressão a um mercado das ideias, onde as melhores, se deixadas circular em liberdade, virão ao de cima. Um dos problemas desta metáfora é que isso nem sequer acontece com os mercados a sério. A electricidade liberalizada ficou mais cara, os correios ficaram pior. Há até quem diga que os afrodescendentes tendem a viver em más vizinhanças por causa da economia, das pressões do mercado, do rating social, etc. Mas se o mercado consegue separar brancos de negros de um modo tão eficaz e natural, é porque o próprio mercado, agindo sem regulação, é racista.

A solução tanto no mercado como nas ideias é a regulação. Essa regulação vai simplesmente no sentido do Estado usar e promover de uma linguagem inclusiva, e de garantir que minorias lhe possam aceder, tanto como cidadãos, como enquanto funcionários e representantes. Porque também cumpre a função de dar acesso à discussão a quem não o tem. Há quem ache que está a ser censurado quando é criticado por dizer uma coisa que sempre disse – uma anedota de pretos, uma comparação deselegante sobre homossexuais, etc. Mas se está a ser criticado é porque começou a viver numa sociedade que se preocupa com o que afrodescendentes e homossexuais pensam. Até aí, quem estava a ser censurado, por norma, eram eles e outros tantos.

Até aí, aquilo que um homem, branco, heterossexual, assumia como uma sociedade liberal era na verdade uma sociedade com gradações sucessivas e crescentes de opressão – uma democracia onde um cigano, ou uma mulher negra vivem no que um homem branco consideraria ser um regime autoritário, se passasse pelo mesmo.

Filed under: Crítica

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