The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Evasões

Quando se discute o papel que Portugal teve na escravatura moderna, há um coisa que se diz que teria piada se não fosse trágica. Tenta-se relativizar esse papel, insistindo que também se devia falar do papel que os africanos tiveram na escravatura, que já havia escravatura antes, etc.

É claro que quem diz coisas dessas não quer realmente que se discuta isso. É apenas uma manobra de diversão. Porque quando esse trabalho é feito realmente, o que sai ainda é mais trágico e monstruoso. Percebe-se ainda mais os efeitos que a escravatura ainda tem em África, e questões complexas e contraditórias, como a culpa terrível mas também certo orgulho associado a isso. E, como é evidente, percebia-se também o papel que os europeus tiveram em modificar os modelos tradicionais de escravatura, tornando-os numa espécie de indústria.

Daí que sim, seria mais interessante ler relatos de africanos que tiveram o seu papel, tanto como escravos como negreiros. E não, isso não diluiria o que quer que fosse a responsabilidade que Portugal teve e ainda tem.

Leia-se este artigo, onde um Nigeriano relata o papel que a sua família teve no comércio de escravos. Veja-se como os mesmos argumentos que se usam aqui também surgem por lá, a mesma discussão, a mesma vergonha, etc.

Um excerto:

«“I can never be ashamed of him,” he said, irritated. “Why should I be? His business was legitimate at the time. He was respected by everyone around.” My father is a lawyer and a human-rights activist who has spent much of his life challenging government abuses in southeast Nigeria. He sometimes had to flee our home to avoid being arrested. But his pride in his family was unwavering. “Not everyone could summon the courage to be a slave trader,” he said. “You had to have some boldness in you.”

My father succeeded in transmitting to me not just Nwaubani Ogogo’s stories but also pride in his life. During my school days, if a friend asked the meaning of my surname, I gave her a narrative instead of a translation. But, in the past decade, I’ve felt a growing sense of unease. African intellectuals tend to blame the West for the slave trade, but I knew that white traders couldn’t have loaded their ships without help from Africans like my great-grandfather. I read arguments for paying reparations to the descendants of American slaves and wondered whether someone might soon expect my family to contribute. Other members of my generation felt similarly unsettled. My cousin Chidi, who grew up in England, was twelve years old when he visited Nigeria and asked our uncle the meaning of our surname. He was shocked to learn our family’s history, and has been reluctant to share it with his British friends. My cousin Chioma, a doctor in Lagos, told me that she feels anguished when she watches movies about slavery. “I cry and cry and ask God to forgive our ancestors,” she said.»

Filed under: Crítica

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