The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Boletim da Biblioteca na Biblioteca

Já tenho o primeiro boletim da exposição a Biblioteca na Biblioteca que co-comissariei com o Ricardo Nicolau em Serralves. O design é da Márcia Novais.

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Comunicar Design 2019 · Esad Caldas da Rainha

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É costume usar apresentações e conferências para testar ideias. Hoje na Esad das Caldas, ensaiei uma espécie de pré-história e história do design em Portugal, usando como base uma genealogia de publicações, entre outras, o álbum Portugal 1934 do SPN, o Notícias Ilustrado, o álbum da exposição do Mundo Português 1940, o álbum Portugal Um País que Importa conhecer. Interessou-me distinguir o designer actual do pintor-decorador do Estado Novo e dos tipógrafos. Aproveitei hoje ser 28 de Maio para mostrar como Salazar tinha uma relação pouco conhecida com a publicidade. As primeiras celebrações do dia em que foi fundada a ditadura foram usadas como ocasião para fazer propaganda ao Porto Borges. «Ditadura, brought to you by…»
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Comparações

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Um pequeno panfleto de propaganda salazarista comparando o Estado Novo com a Primeira República. Note-se a censura prévia vista como algo positivo na última imagem.IMG_5426IMG_5424IMG_5425

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Ainda mais coincidentes

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Não conseguia encontrar em casa o de cima.Queria-o por causa dos dentes. Enquanto o procurava encontrei o de baixo – que nunca tinha reparado usava a mesma dentadura.

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Um ano d’o design que o design não vê

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Faz pouco mais de um ano que saiu, e ainda tenho bastante orgulho no meu livrinho, sobretudo do ensaio que lhe dá o nome. Posso estar enganado, mas é capaz de ser o único editado em Portugal fora da academia a tratar a relação estrutural e  histórica do design com o racismo, a discriminação de género e de classe. Leia o resto deste artigo »

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Coincidentes

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O Blurb

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Os blurbs são aqueles elogios que aparecem nas capas ou contracapas dos livros. Podem ser feitos por convidados. Lembro-me de um do Steve Martin: «Eu ri. Eu chorei. Depois, agarrei no livro e li-o.» O que eu não sabia é que Blurb é o nome de um personagem ficcional, Belinda Blurb, inventada pelo escritor Gelett Burgess para se desfazer em elogios na capa de um dos seus livros.

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Conferência

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Dia 28 vou falar às Caldas. Já sei sobre o que quero falar mas prefiro não dizer nada para já.

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O Olho Agarrado à Palavra

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Abre-se um caixote enquanto se procura outra coisa e eis que lá estão, os Anos 70 Poemas Dispersos, do Alexandre O’Neill, da Assírio & Alvim. Inclui alguns poemas gráficos difíceis de apanhar, porque publicados em jornais e revistas ou porque foram esquartejados em outras ocasiões. Leia o resto deste artigo »

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O Designer Como Grunho

O design em Portugal envelhece. Já há muito tempo que não ouço ninguém com a lenga lenga do «é preciso trazer o design para Portugal». Seria absurdo. Aparecem sempre os que dizem que é preciso trazer o design «a sério», o que significa apenas «o deles». O design envelhece e às vezes parece que não aprende muita coisa. A proporção de mulheres a estudar design é consistentemente maior desde há anos. Tenho aulas onde praticamente só vão mulheres. Mas mesmo assim ainda se apanha gente a dizer que o design é uma coisa de homens. E diz-se que isso é por causa dos trabalho que os filhos dão ou da incapacidade para praticar a coisa à homem – “à patrão”, queira isso dizer “à bruta” ou “com charme”, não é muito fácil de distinguir. É um meio que não leva mulheres a sério (ou qualquer pessoa que não jogue por essas regras). Não é apenas o modo de trabalhar à antiga, porque já anda por aí uma versão 2.0, igualmente troglodita, alimentada a politicamente incorrecto e a “liberdade de expressão” – para dizer alarvidades em nome da informalidade. Tudo isto não é só conversa, como é evidente, mas é o software da coisa. Daí que seja útil ter uma formação que inclua uma história que seja crítica e não apenas transmitir o património e as lendas da profissão. E uma crítica que inclua feminismo, estudos culturais, política, etc. Porém, é comum achar-se que os alunos ainda não têm maturidade para isto (mesmo no ensino superior). Pela minha parte, se têm idade para ouvir ou fazer comentários sexistas, se têm idade para estagiar, têm mais do que idade para perceber o que isso implica.

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Richard Hollis

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A colecção de textos dispersos de Richard Hollis, About Graphic Design, tem-me sido um consolo e um prazer. São o tipo de textos que se escreve quando se escreve por encomenda sobre design, para conferências, para introduções, para revistas, para obituários. Como o próprio Hollis refere na curta introdução, cobrem assuntos que permaneceriam estrangeiros aos seus interesses não fosse o ser espicaçado pelos editores. Trata cada um desses assuntos com interesse, aquele sentido de perplexidade organizada que os melhores críticos cultivam. Diz ele, designer, que, para escrever sobre colegas, «it helps to puzzle out what is meant by “Graphic Design”.» O consolo deriva disso, desse puzzle out. Não escreve, como tantos, para apregoar o que é ou devia ser o design, e quem é ou não devia ser designer. Não trata o design como uma colecção de chavões, de certezas, mas como um problema constante.

O seu Graphic Design – A Concise History foi a primeira história do design que tive a boa sorte de comprar. Falo de sorte apenas no sentido coloquial, porque na verdade me limitei a beneficiar dos bons dons de estratego do próprio Hollis: fez uma história acessível, que se pode comprar por dez libras, pouco mais de onze euros e meio. Podem-se comprar cinco destas histórias pelo preço que custa a ainda muito usada história do design gráfico de Philip Meggs, e fica-se bem melhor servido.

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Genealogias

A história do design português – e não só – tem formatos tão comuns que já nem se repara neles. Usam-se porque estão à mão de semear. Dão jeito. Se a história fosse uma app, seriam presets, filtros pronto a usar que dão logo um ar mais profissional à coisa. O mais comum é a biografia. Atribuindo uma série de objectos a uma pessoa, tornando-os na sua obra e fazendo dessa pessoa um autor, cria-se a mais simples e mais cativante das narrativas. Percebe-se o designer porque a sua vida faz assim sentido, tem um arco narrativo de crescimento, de auto-descoberta, de aprendizagem que a coloca perante problemas que são resolvidos, aliados com que se colabora ou inimigos com que se guerreia. A biografia permite alisar problemas, contradições, encaixando-os numa solução em formato de pessoa. Leia o resto deste artigo »

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico.

Autor do livro O Design que o Design Não Vê (Orfeu Negro, 2018). Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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