The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

A história do «cliente»

No último Sábado, a convite doJosé Bártolo fui participar no lançamento do catálogo da exposição Sinal, na Casa do Design em Matosinhos. Trata-se de uma mostra dedicada aos correios e telecomunicações em Portugal desde o século XIX até às últimas privatizações. Leia o resto deste artigo »

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Filed under: Crítica

Cigarro

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A tentar cumprir prazos com a bebé doente. É difícil escrever e até ler no computador, portanto as leituras acabam por ser em papel. Li de rajada um livrito deste ano sobre design, política e jornalismo. Nunca fumei mas a sensação que tive ao sorvê-lo deve ser a de alguém que fumou um cigarro depois de anos de abstinência forçada. Chama-se The Fourth Estate Utopias e não, não é perfeito. São três ensaios e a transcrição de uma série de conversas. A paginação torna difícil seguir o fio. Os textos seguem em paralelo na mesma página, mudando apenas a fonte. Ao começo, saltei de ensaio sem dar conta. Talvez seja uma maneira de manter o leitor atento, crítico, etc. Mas os ensaios e as conversas são como cafeína para alguém como eu. Fala-se sobre acabar com o patriarcado no design. Há um texto bastante interessante de Ruben Pater sobre design, eleições, extrema direita. O livro veio-me recomendado pela Sofia Gonçalves. É tão refrescante ler gente a falar sobre design e assuntos correntes dos últimos quatro anos (eleições, Trump, Brexit, Putin, desinformação, etc. etc.) Lê-lo torna ainda mais óbvio o imenso falhanço que tem sido a crítica e o pensamento de design em Portugal nos últimos anos. Desapareceu quase por completo da imprensa e o pouco que ficou são guias de consumo ou estilo de vida, entrevistas a luminárias que confundem tipografia com design e, por sua vez, esta confusão com pensamento sobre design. Ou, a parte que mais me enjoa, notinhas de quatro ou cinco linhas sobre o grafismo interessante de alguma editora. Estou farto do design como nota de rodapé dos interesses do meiozinho editorial português. Na grande maioria dos casos, o que é gabado quando não é feio e banal, é bom gosto mediano sem grande interesse. Contra isso, gosto da Tinta da China, que realmente não se parece com nada. Depois gosto do trabalho de gente de quem gosto, e portanto, não sei se tenho distância, da Orfeu Negro, que me editou, e da Dois Dias, que são amigos, mas é sempre uma alegria encontrar um livro deles. Não são os únicos mas são consistentes e fiáveis. No que me diz respeito, é tudo o que há a dizer dentro daquilo a que se reduziu a crítica de design em Portugal. Adorava ler sobre design que pareça ter sido feito no século XXI. Adorava ler sobre design, política, guerra, o novo fascismo, desinformação. Bolas, até lia sobre design gráfico e gentrificação. Há alguém a escrever em público sobre isto? Se me vêm dizer que se está a fazer teses e seminários sobre o assunto, desculpem lá mas tenho que ir ali mudar uma fralda. Estou a falar de pensamento público, de crítica feita em voz alta, preto no branco.

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico.

Autor do livro O Design que o Design Não Vê (Orfeu Negro, 2018). Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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