The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Ano Novo

Decisões de ano novo: ter mais cuidado a comer; sair mais com a Rosa; continuar a ler mais ficção e revistas de design; ir a mais exposições. E, o mais importante, dedicar-me acima de tudo a design deste século.

Em termos de crítica dedicar-me a objectos concebidos e pensados agora. A conjunção «e» da última frase é crucial à sua compreensão. A grande maioria dos objectos mais públicos do design português podem ter sido concebidos agora, mas são pensados da década de noventa para trás.

Podem até ser grandes objectos, cheios de interesse, mas não são contemporâneos. Aparecem-nos agora, mas são feitos no século passado. E não há falta de quem fale sobre eles. Têm as suas monografias, as suas biografias, as suas exposições, as suas teses de mestrado e doutoramento.

O que é pior: muita da conversa em torno destes objectos também é feita com as vozes e os métodos do século passado. A monografia de design, acompanhada da biografiazinha do designer, é um formato chato, triste, quase inútil, na era da wikipedia e do pinterest.

Há formatos mais actuais, mais urgentes. Pegar-se na biografia de um modo subalterno. Em vez de fazer pela enésima vez a biografia do gajo branco criativo e pioneiro, porque não fazer biografias no feminino, ou de géneros de comunicação visual que não são considerados design precisamente por serem praticados fora dos moldes brancos e masculinos?

Porque não falar do design em termos de formas em vez de o agrupar pelo autor, pelo estúdio ou pelo cliente? Porque não falar de design feito em escolas não como um proto-design feito fora do mundo real mas como algo em si mesmo? Porque não falar desse design como um lado B (uma expressão feliz de Pedro Bandeira)?

Em todo o caso, o meu manifesto para 2020 é que os meus interesses, as minhas prioridades históricas e críticas começam depois de uma barreira traçada com o Porto 2001. Foi nesses anos que se revelou uma nova geração de designers: João Faria, os R2, os Barbara Says. Será aí que começa a história que é mais urgente tratar.

Estou farto do período heróico da edição de 1960, 1970. Estou farto da Almanaque. Estou farto do Luíz Pacheco. Estou farto da Afrodite. Estou farto da Assírio & Alvim. Venham coisas novas.


 

P.S. – E, como é evidente, muita desta história feita no século passado e sobre o século passado é tóxica, agressiva e exclusiva. Se me dessem uma moedinha por cada vez que uma luminária me veio pregar contra o que consideram não ser design ou quem não consideram serem designers. O que fica de fora? O design que correu espectacularmente mal: o design racista do Estado Novo praticado por «heróis» fundadores. O design praticado por mulheres. O design praticado fora do esquema liberal do estúdio a trabalhar para clientes de renome (instituições públicas ou Estado) e de formatos populares (identidade corporativa, capa de livro, cartaz).

Filed under: Crítica

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