The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Arraial! Arraial! Pelo Povo de Portugal, por Paulo de Cantos

É dos meus favoritos do Paulo de Cantos, pelas cores, que parecem pintadas à mão, pelas texturas dos papéis, pelo delírio geométrico da tipografia, pela variedade de temas, dicas, provérbios e até músicas. O tema central é Portugal representado por um mapa-logotipo usado ao longo do livro. Leia o resto deste artigo »

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Adagios / Maxims, Paulo de Cantos

Desde que o António Gomes me tinha mostrado um durante as Jornadas Cantianas que andava atrás dele. Por razões óbvias: a árvore de linguagens na capa, impressa a três cores (cliquem para ampliar); a leitura dupla, de cima para baixo e de baixo para cima, etc. Paulo de Cantos no seu melhor.

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Outro do Paulo de Cantos: Astrarium Vol.1, 1955

É um livro de astronomia/astronáutica com factóides, humor, mapas do céu e da terra que mistura ficção-científica com factos científicos sem grandes preocupações que não sejam ensinar divertindo. Ou vice-versa. Particularmente interessante é o “onomatograma” do autor, os desenhos de meteoritos feitos com caracteres tipográficos (abaixo na galeria) e a conclusão da última página:

“Cine em livro é documentário rico e vivo que dá direito a repetir a sessão sempre e onde vos der a gana. Tudo é bom quando acaba bem.”

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2 PK (Paulo de Kantos + Pecha Kucha)

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Na Pecha Kucha de hoje vai ser sorteado um exemplar do livro que os Barbara Says dedicaram ao inefável Paulo de Cantos. Mais uma razão para aparecer. Eu escrevi um dos textos do livro que faz parte de um conjunto de textos que dediquei ao Paulo de Cantos e àquilo que eu chamo o “Modernismo Selvagem”. Um desses textos já apareceu na última revista Nada (“Onde se argumenta que na situação actual não há-de ser a subversão que nos vai salvar mas uma indiferença ao que a separa da hierarquia”). Outro irá aparecer no catálogo da exposição que Paulo Mendes comissariou no Guimarães 2012 Capital da Cultura. Não se tratam de textos históricos mas de coisas mais activas que propõem um modernismo subversivo como resposta à crise actual.

 

Filed under: Crítica

Exmo. Dr. Paulo de Canto

Mandei vir o livro porque era barato (5 euros + portes) e porque, segundo a descrição do vendedor, incluía “uma carta do Autor,para o Dr. Paulo cantos(1ºsurrealista Port.em Grafismo)em que faz alusões a sua vida particular.” Assumi que se tratava de um anexo ao livro, mas na verdade é uma carta manuscrita colada no ante-rosto e enviada em 6 de janeiro de 1972 (quase quarenta anos) por Alberto Xavier a Paulo Cantos, pedindo desculpa por não ter dado notícias, atribuindo a falta aos seus 91 anos e aproveitando para enviar esta cópia do seu livro. Inclui uma dedicatória: “Ao Exmo. Dr. Paulo Canto [sic], belo espírito e eminente amigo”, e um ex-libris do próprio Paulo de Cantos, no seu estilo tipográfico habitual.

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Dicionário Técnico (1942)

 

Mais outro do Paulo de Cantos, o “Dicionário Técnico – CHAVE de tudo em tudo: Termos -técnicos, Património HUMANO, Essências da Técnica, Quem tem cabeça traz tudo o que é bom consigo” [etc.], composto e impresso em 1942 na Póvoa de Varzim, sem dúvida o mais bonito que já apanhei dele, com uma capa azul com relevo a lembrar o caixilho de uma porta com dois cartões metalizados a servirem de base aos títulos.

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Ultramar Divertido

Um livro clássico de Paulo Cantos, Ultramar Divertido (1953?), encontrado há uns meses. Cheio de desenhos feitos com caracteres tipográficos – que Cantos chama “onomatogramas” –, com poemas acrósticos – em que a primeira letra de cada linha forma uma palavra –, de sobreposições a branco, de fotografias, etc.

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10 Anos

Vai fazer dez anos que saiu o Design em Tempos de Crise. Foi aqui no Porto no dia mais frio do ano. Nevou com abundância. O lançamento foi no Passos Manuel. A primeira edição, que tinha uma borda vermelha e moedas entre as páginas, esgotou em menos de um mês. A segunda, borda verde-azul, notas de banco entre as páginas, poucos meses depois.

Dez anos depois, a crítica de design em Portugal continua miserável, à beira da extinção. Nunca se escreveu tanto sobre design mas o que aparece é absorvido pelo meio fechado da academia e ali desaparece, sem nenhuma divulgação. Ao contrário da Arte ou até do cinema que têm sabido criar projectos de crítica, escrevendo de propósito ou absorvendo produção académica, o design pouco ou nada consegue produzir de comentário.

As revistas que havia, como a Pli, acabaram. A Modes of Criticism é um exemplo solitário, embora o seu âmbito seja mais internacional e cosmopolita do que local.

Os que faziam crítica há dez anos dedicam-se ao comissariado, acompanhando uma tendência geral. Fazem-se exposições onde antes se escrevia. Alguns espaços nos jornais, mais de divulgação que de crítica, como o de Guta Moura Guedes no Expresso, funcionam num modelo de comissariado, apresentando uma selecção comentada de objectos, quase uma pequena exposição.

A maioria da pouca crítica feita nos jornais a objectos de e sobre design acompanha também a tendência geral para ser produzida por gente que também escreve sobre mais assuntos. Não é muito diferente da crítica de música, de cinema, de literatura ou até de arte. Em geral, não deixa as coisas em pior estado do que já estão. Em outros, consegue acumular todos os piores defeitos da crítica e jornalismo actuais (conservadorismo de conteúdo, desactualização da forma, metodologias obsoletas, desprezo pelo rigor, uso ostensivo da crítica como arma de arremesso ou de silenciamento) e junta a isso todos os defeitos do discurso menos interessante e actualizado sobre design (abordagens biográficas sobre os heróis aceites da disciplina, salganhadas mal misturadas de cocabichices vindas daquela área turva que se confunde com a história do livro, a edição, da tipografia, da arquitectura, etc. mas não chega bem a ser.)

Como dizia mais atrás, o problema não é falta de gente a escrever bem e de modo inovador sobre design. Há muito boas teses e dissertações mas não saem da escola. As que saem para o mundo exterior, através de editoras generalistas, não são as mais arriscadas ou interessantes. São mais confirmações do que já se sabe do que investidas em territórios ou métodos novos. É sintomático que a parte mais interessante destes objectos acabe quase sempre por ser a dos dados em bruto, a das entrevistas por tratar, mais do que a argumentação construída a partir dessa matéria-prima. Ilustra a falta de inovação ou mesmo de pertinência teórica.

Culpo, por um lado, a maneira artesanal e ingénua como se pratica a história do design. O design tem os seus formatos favoritos de tratar a história, tradicionalizados pela repetição, porque dão jeito, porque são fáceis – entre eles o portfolio, o manual, a cronologia, a monografia biográfica. São formatos semelhantes aos usados para promover o design e os designers, adaptados para outros fins. Por outro, culpo a massificação da investigação de Bolonha, que reduziu a metodologia a uma formatação genérica e apressada. Disciplinas mais consolidadas que o design sobrevivem mal – mas ainda assim melhor. O design limitou-se a exportar os seus maus hábitos para um contexto novo.

A melhor tese de doutoramento que li nos últimos dez anos foi a do António Gomes sobre Paulo de Cantos. Ponho a do Victor Almeida, da Fbaul, em segundo. A única separação que as hierarquiza é pessoal e estética. Tem que ver com os meus próprios gostos em termos teóricos. Num meio como o design onde se usa a biografia por defeito, no seu grau mais básico, fácil e acrítico, a tese de Gomes é exemplar. Evita os problemas do costume. Não parte do designer, de uma pessoa eleita como representante heróico da disciplina, como um ponto de apoio mágico para explicar tudo, mas tenta perceber uma vida e uma obra tal como determinadas por um conjunto complexo de contextos históricos, institucionais, etc.

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Portugal, Crise, Design

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Se há uns dez anos muito pouca gente (para além dos portugueses) sabia que Portugal existia, agora qualquer pessoa minimamente atenta o conhece. O problema é que também conhece a Grécia, a Irlanda e a Islândia. Portugal é um país que não só está em crise (sempre esteve, de uma maneira ou outra) como é a própria crise, ou pelo menos um dos seus campos de batalha. Quando se escreve um artigo sobre o design num país, numa cidade ou numa década há sempre uma lista comentada de nomes, de designers, de estúdios, de publicações. Neste caso, é preciso ter a consciência que todos eles estão, neste preciso momento, a lidar com uma reestruturação violenta da economia e da própria sociedade portuguesa.

O que tem a crise a ver com o design? Muito. Leia o resto deste artigo »

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Encadeado

Durante os últimos meses, tenho andado em estado permanente de avançar, terminar e rever textos. No meio disto tudo, sinto falta de escrever no blogue. Ainda  é o melhor sítio para testar ideias, embora o ensaio encomendado me obrigue a sair da rotina intelectual, obrigando-me a tratar assuntos novos, que não me interessariam por iniciativa própria. Às vezes, um conjunto destes textos encomendados, encadeados entre si, acabam por me levar a sítios inesperados: dois textos para “clientes” distintos levaram-me a fazer uma pequena história da relação entre a evolução da identidade do design português e a ascensão do consenso neoliberal em Portugal. Ainda não foram publicados, por isso não posso adiantar muito mais. Em outra ocasião, três ou quatro textos sobre Paulo de Cantos e sobre a Dot Dot Dot levaram-me a uma reavaliação do modernismo que por sua vez deu origem a um ensaio sobre humor e modernismo. Eventualmente, a minha ideia é concretizar esse encadeado de ideias em projectos como a monumentânea, mas para isso é preciso tempo…

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Hoje

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Lançamento às 18h30 no Museu do Chiado. Participei no livro com um ensaio sobre as relações entre Paulo de Cantos e Chris Ware.

Filed under: Crítica

Notícias

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Ando a terminar textos em vários graus de atraso e a participar em alguns eventos relacionados com a escola daí o silêncio-rádio. Só tenho tempo para algumas notícias muito breves. Recebi mais duas publicações onde participei com textos. Design, Crise e Depois, onde participei com um texto sobre a Crítica do Design enquanto Moda; e o livro da exposição Collecting Collections and Concepts, organizado pelo Paulo Mendes, e no qual participei com um texto a relacionar Paulo de Cantos e Chris Ware. Também já estive recebi o podcast da Susana Pomba, Eduardo Guerra e Miguel Ferrão, “O que se segue perdeu-se na gravação actualmente existente”, onde participo num talk show com os três fundadores. Gostei muito do momento da gravação, quando fizemos (os quatro) uma mesa redonda numa cabine de som quase tão pequena como uma arca frigorífica. Mas estava com medo de ouvir o resultado. Não sou completamente isento, mas gostei. Estou ansioso de repetir.

 

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É Já Este Sábado

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Paulo de Cantos! No Princípe Real! Livro Homem! Homem Livro!

 

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Lista do Ano

Começam a aparecer as primeiras listas de coisas importantes de 2012. Aqui fica a minha, que é de prioridades do dia-a-dia (e também vale para 2013): Leia o resto deste artigo »

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Conferências na Culturgest

Amanhã, dia 21, pelas 18h30 terá lugar a última das seis conferências do ciclo que tenho dado na Culturgest de Lisboa, e que teve início em outubro do ano passado. A ideia de partida para cada uma destas conferências foi escolher um objeto, um livro, que permitisse, por sua vez, apontar para outros objetos, outros livros, mas também para exposições, filosofias, políticas, etc. Aqui fica o texto de apresentação da sexta e última:

Em 2003, a revista Dot Dot Dot publicou um curto ensaio da autoria de Mark Owen e David Reinfurt, com o título “Group Theory – A Short Course in Relational Aesthetics”. Ilustrado por retratos coletivos de alguns dos ateliers de design, arte e arquitetura mais marcantes do século XX, propunha-se descobrir nestas fotografias, nas suas poses evidentemente encenadas perante a câmara, indícios de diferentes filosofias criativas, estruturas empresariais ou hierarquias laborais.

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Filed under: Conferências, Notícias Breves

Conferências na Culturgest

No próximo sábado, dia 21, pelas 18h30 terá lugar a última das seis conferências do ciclo que tenho dado na Culturgest de Lisboa, e que teve início em outubro do ano passado. A ideia de partida para cada uma destas conferências foi escolher um objeto, um livro, que permitisse, por sua vez, apontar para outros objetos, outros livros, mas também para exposições, filosofias, políticas, etc. Aqui fica o texto de apresentação da sexta e última:

Em 2003, a revista Dot Dot Dot publicou um curto ensaio da autoria de Mark Owen e David Reinfurt, com o título “Group Theory – A Short Course in Relational Aesthetics”. Ilustrado por retratos coletivos de alguns dos ateliers de design, arte e arquitetura mais marcantes do século XX, propunha-se descobrir nestas fotografias, nas suas poses evidentemente encenadas perante a câmara, indícios de diferentes filosofias criativas, estruturas empresariais ou hierarquias laborais.

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Filed under: Conferências, Notícias Breves

Minutas da Real Sociedade Dos Cantianos

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E assim terminaram as primeiras Jornadas Cantianas, dedicadas à figura de Paulo de Cantos e que juntaram durante dois dias bem preenchidos os aficcionados, os curiosos, os especialistas e até a própria família do homenageado. Foi um evento a meio caminho entre o formal e o informal, entre o científico e o simplesmente humano, uma ambiguidade que agradaria sem dúvida ao próprio Cantos. A antiga sede do sindicato dos Marinheiros, com as suas escadas estreitas, frescos náuticos e portas legendadas com grandes letras pintadas dava a ideia de um clube de exploradores onde os chefes da última expedição vinham apresentar os seus achados.
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Jornadas Cantianas

Um ciclo de conferências à volta da figura de Paulo de Cantos, “1º Surrealista Português em Grafismo”, organizadas pela Oporto (todos eles Cantianos de nota) e contando com a presença de Massin. M A S S I N ! ! ! (se eu não fosse um dos moderadores, já estava a fazer bicha em frente ao Adamastor – ainda faltam dois meses mas o tempo até já está ficar quente).  A imagem é um gif animado, experimentem clicar.

Update: as sessões do Oporto costumam ser por baixo do Noobai, atrás do Miradouro de St. Catarina em Lisboa. A hora exacta ainda não sei dizer.

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Sal+Azar, Sol+Azar

E ainda mais outro do Paulo de Cantos, o décimo quinto da minha colecção, um livro duplo que pode ser lido nos dois sentidos, para a esquerda e para a direita, o que assume aqui um significado político e jocoso, de bem e de mal, um cisne e uma cobra, as sete virtudes capitais e os sete “picados” capitalistas, a propósito da figura de Salazar que teria sido seu colega de carteira na escola. Mais um com dedicatória manuscrita do autor,* datada de 13 de Janeiro de 1975:

“Ao ilustre prof. Dr. Fco. Couto dos Santos, apolítico distintíssimo a quem se podem confiar algumas alfinetadas e elogios (aquelas envenenadas e estes extremamente adocicados) para que propositadamente pareçam compensarem-se e anularem-se respectivamente umas às outras… anulando-se mutuamente!”

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Filed under: Crítica, Cultura, Design, História, Política, Publicações

Roteirinho Alfacinha, 1947

Quando a senhora dos Correios começou a procurar a encomenda no meio dos envelopes, estive para dizer que de certeza não estava ali – era um livro, devia ser maior, mas afinal era esta  coisita minúscula: um roteirinho assinado apenas com as iniciais P.C. mas perfeitamente identificável como sendo do Paulo de Cantos, pela típica lista de obras da contracapa, aqui muito abreviada, pelo tom e pelo acróstico da palavra Lisboa.

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico.

Autor do livro O Design que o Design Não Vê (Orfeu Negro, 2018). Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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