The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Ocupar a História

A propósito do post anterior, encontrei aqui alguma coisa sobre o grupo Black Mask, um dos tais grupos dos anos sessenta. Vale a pena ler tudo, mas fica aqui apenas a parte em que “sabotaram” uma grande superfície:

“Another infamous stunt, The ‘mill-in’ at Macy’s involved organising large numbers of people to enter the store in small groups posing as regular shoppers or staff.  Their aim was to cause maximum disruption during the store’s peak business hours in the build up to Christmas.  Activists systematically moved stock around, stole items, broke items, gave items away and released animals, such as dogs and cats, into the food department.  Even a buzzard was seen terrorising staff in the China section.  Decoy activists identified themselves with flags and banners but made sure to stand alongside regular shoppers, who were subsequently roughed up and chucked out by security and floor staff.” Leia o resto deste artigo »

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Por uma História Descurada da Curadoria

Desde há algum tempo que tento ler uma obra de fôlego sobre curadoria, mas não tenho conseguido. Não por falta de tempo, mas por falta da tal obra. É talvez o melhor sinal de como a curadoria domina neste momento a cultura a todos os níveis que a maioria dos livros sobre o assunto sejam eles próprios comissariados. Leia o resto deste artigo »

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Dinheiro, Cultura e Democracia

Nas discussões que tenho ouvido sobre o assunto, há sempre uma ambiguidade quando se fala de cultura. Por um lado, diz-se que é aquilo que nos define como povo, país, época (mais termos ambíguos, que deixaremos passar). Por outro, é algo feito por profissionais ou pelo menos especialistas treinados para o efeito. Se a cultura é algo que nos define, então porque precisamos de alguém que a faça por nós? Se as telenovelas, os ranchos populares ou a gastronomia são cultura, para quê gastar dinheiro com isso? Não viveríamos melhor sem gastar dinheiro com cultura que aparentemente só serve para legitimar grandes interesses: o Governo, Bancos, a Europa, etc.? Leia o resto deste artigo »

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Patrões e Patronos

Qual o futuro que se prevê para a cultura, na nossa sociedade refundida refundada? Bastante parecido com o passado. Há uns tempos escrevia eu isto:

Passeava pelo Porto com um amigo americano, um jovem curador assistente, que a certa altura me perguntou, apontando o logotipo do BPI, se era de uma instituição cultural: tinha-o visto em Serralves, na Casa da Música, um pouco por todo o lado, em cartazes e folhetos onde era muitas vezes o único elemento a cores e com algum destaque. Leia o resto deste artigo »

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Marginalia

Em Guimarães, cada loja tinha o seu coração geométrico, de renda, em madeira, em bolo. Crianças trepavam as arestas de versões maiores na Praça do Toural. Um pouco exaustivo demais para o meu gosto. Só vi o meu coração preferido a caminho da estacão de comboios, de mochila às costas e preparado para o regresso: um grafitti stencil azul com o slogan “unpaid artists perform better”.

Se vale a pena vir aos Grandes Eventos Datados (Guimarães 2012, Porto 2001, Expo98, etc.) não é apenas pela arte e pelos eventos oficiais, mas também pelos desabafos, protestos e trocadilhos que inspiram. Alguém me dizia ontem que Alfredo Jaar tinha escrito “Cultura = Capital” já não sei em que ocasião, mas não se compara ao slogan clandestino que apareceu durante o Porto 2001: “Cultura do Capital Europeu”. Ou da boca do “Allgarve, Poortugal.”

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Capitais da Cultura

Em viagem, não muito longe de casa, em Guimarães, onde não vinha desde as aventuras da Cena Independente do Porto há meia dúzia de anos. Também nessa altura se tinha dado um valente safanão ao país que atirou uma data de gente do Porto para aqui. Agora, encontra-se gente de todo o lado. E a cidade está mais arranjadinha (nem sempre mais bonita). Curiosamente, essa primeira incursão aproveitava os restos do Porto 2001 e ficava exactamente a meio caminho entre as duas capitais da cultura. Marcou a estranha consolidação de uma geração que foi aparecendo no Porto por volta e no pós-2001 e a sua desintegração mais ou menos rápida. Serviria, não de modelo, mas de primeira instância da cena cultural tal como vai acontecendo agora: espaços que também são bares ou galerias; doses iguais de precariedade e burguesia. Um quotidiano artístico bastante activo e que já desistiu de aparecer nos jornais, mais atentos a Lisboa e ao dinheiro.

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Crítica

uns textos atrás, falei da urgência de uma atitude mais interventiva dos curadores em relação à maneira como a cultura tem sido tratada durante esta crise. Digo isto porque as tomadas de posições dos artistas não têm sido, claramente, suficientes. Falta-lhes autoridade e visibilidade. Leia o resto deste artigo »

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Identidades

Cada vez mais acredito que o desafio para as artes e para o design em Portugal será a criação de identidades que se oponham e (se possível) substituam as que nos trouxeram aqui, a este momento. Não será fácil, porque as ideologias e identidades que provocaram e mantêm esta crise não só estão bem vivas nas artes como em grande medida foram ensaiadas e aperfeiçoadas dentro delas, antes de serem largadas na população em geral – os estágios não remunerados; o recibo verde; a precariedade; o trabalhador como empresário a título individual, financiando a sua participação em empresas ou eventos de grande escala, que só asseguram visibilidade ou currículo; a valorização da gestão (curadoria, p. ex) acima do trabalho propriamente dito; etc. Leia o resto deste artigo »

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Coisas que ando a debicar (enquanto leio outras)

Este é uma antologia sobre a precariedade do trabalho na arte, um assunto que me interessa há muito tempo, quase desde a altura em que escrevo para aqui. Podem encontrar alguns exemplos do que penso sobre o assunto aqui, aqui e aqui, quase tudo pré-crise. Agora, esta reflexão só se tornou mais urgente. E não basta interrogar o papel da arte na sociedade, mas também a maneira como se estrutura o trabalho dentro da arte e do design. Ou seja, não basta fazer arte política contra a precariedade quando a estrutura em que esse trabalho é produzido assenta também ela na precariedade. Leia o resto deste artigo »

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Unir os pontos

Depois de ler o artigo no Ípsilon sobre o Doc Lisboa, que apostou numa cobertura documental, quase em directo da crise, confirmo a ideia que, dentro da cultura, a resposta mais orgânica e dura da situação tem sido a do cinema. Por comparação, o resto das artes são muito menos vocais, silenciosas até, tirando uma ou outra voz isolada (Siza com a sua boca sobre vivermos numa ditadura ou Maria Teresa Horta). Leia o resto deste artigo »

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Quem vê caras…

Muito má cobertura no Expresso sobre a nova directora de Serralves (cliquem na imagem para ampliar). Na parte dedicada aos bitaites, ao mexerico e aos restaurantes, mas mesmo para isso seria preciso um pouco mais de cuidado. Por exemplo, porque se gasta meia página numa montagem da fotografia da cara da senhora, photoshopada para parecer uma projecção vídeo de uma composição de Warhol? Porque é fácil? Leia o resto deste artigo »

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A Arte do Protesto

Ontem, no Porto, confesso que a manifestação não me emocionou muito, excepto por uma vaga desilusão. Não havia muita gente. Nem andou perto do 15 de Setembro. Apenas umas centenas de pessoas. E o formato de concerto focava demasiado a audiência nas bandas, nas músicas e nas mensagens que iam dirigindo de quando em quando à plateia, menos na própria multidão e os assuntos que as traziam ali. A música encorajava a audição passiva. Isolava as pessoas mais do que as juntava. Às vezes não é (e não foi) assim – quando as músicas são conhecidas e funcionam como hinos que trazem toda a gente para a mesma comunidade, mas ontem isso não chegou a acontecer de modo sustentado.

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Pela Cultura

Esta semana vai haver manifestações pela Cultura. Nem digo contra a troika porque, pelos vistos, o FMI mudou de ideias, Barroso diz que não é nada com ele, e não sobra outra coisa que não o Governo. Portanto, que se lixe o Governo, que se lixe a Austeridade. Que se lixe a política cultural desta gente. Que não existe, porque é feita caso a caso.

Mas vai-se percebendo um padrão: aqui junta-se arquitectura de renome e intervenções artísticas em larga escala como tentativa de equilibrar a destruição patrimonial e ecológica causada por umas tantas barragens; ali, promove-se a trilogia luxo-fado-gastronomia; acolá, usam-se artistas/empresários para produzir instalações gigantes a partir de objectos sofisticados produzidos através da montagem modular de objectos do quotidiano (se possível feitos pelas nossas indústrias).

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Método e Hierarquia

Ainda a propósito de Guimarães, um pormenor do qual não falei no texto anterior – porque ando a escrever uma peça maior sobre o tema –, mas se calhar vale a pena deixar aqui um lamiré): a dada altura, quando se falava da importância de distinguir bem entre curadores, artistas, editores, etc., um dos argumentos usados foi o da importância de haver método.

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Edição, Curadoria, Intimidade e Opinião

Ontem em Guimarães, o encontro Edição e(m) Curadoria valeu a pena. Gostei mesmo muito da parte da manhã, mais teórica e crítica, com uma exposição sobre a história da edição experimental portuguesa, desde Palla e Martins até E. M. Melo e Castro, com a possibilidade de folhear alguns desses livros que circulavam pela plateia.

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Ajuste de Contas

Dos cortes feitos às fundações, como em todos os outros, fica a ideia de arbitrariedade, capricho e até uma mesquinhez mal disfarçada. O caso mais gritante é ter-se cortado a totalidade do apoio dado à fundação com melhor classificação, a Casa de Mateus, e que se destinava inteiramente a financiar o mesmo prémio que Maria Teresa Horta se recusou a receber das mãos do Primeiro Ministro.

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O Princípio da Inércia

No pavilhão branco do Museu da Cidade, na esquina do Campo Grande mais próxima do estádio do Sporting, estará até dia 4 de Novembro a exposição O Princípio da Inércia, comissariada pela Mafalda Santos e pela Susana Gaudêncio, e onde eu subcomissario uma mostra de livros relacionados com o tema da viagem e do percurso.

Se, de acordo com a lei de Newton que dá o nome à exposição, um movimento uniforme só muda com a aplicação de uma força exterior, cada um destes livros é uma dessas forças, sacudindo para os seus próprios fins a própria ideia de viagem, trajecto ou território – politizando-a, despolitizando-a mudando a própria identidade do viajante.

Queria ter posto aqui qualquer coisa antes da inauguração de ontem, mas a trabalheira de ajudar a prepará-la – e que me obrigou a faltar à vigília de Belém – não me deu oportunidade.

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Hipocrisia no Estado Sólido

Hoje, no Público, uma boa reflexão de António Pinto Ribeiro sobre o luxo e a luxúria (ainda sem link aberto), que me parece muito atempada. Da minha parte, incomoda-me um discurso que apela à austeridade e às virtudes da pobreza, enquanto se associa ao luxo e à exclusividade – a austeridade como trocar menos de carro, etc. Há qualquer de fundamentalmente errado e injusto quando se fala de pobreza e empobrecimento nas primeiras páginas dos primeiros cadernos e se promove o luxo nas revistas das mesmas publicações. Demasiadas vezes, chega-se mesmo à ironia de fundir pobreza e luxo num mesmo objecto: vendendo símbolos da pobreza forrados a ouro, sardinhas gourmê, panelas montadas em forma de sapato de salto alto, etc. É uma mentira que se objectificou – hipocrisia no estado sólido.

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Novecentos

Cheguei ao artigo n° 900. O ritmo do blogue tem sido mais rápido, portanto não é ocasião para grande celebração, apenas para algum exame de consciência ou ponto da situação.

Ainda há uns dias admitia em conversa com amigos que já não me apetecia tanto escrever sobre design mas, mal disse isso, reparei que este é o sexto texto seguido que dedico ao assunto. Tenho preferido a intervenção política e as artes em geral. Se calhar o regresso ao design é culpa da silly season, que tende a secar as coisas sérias, deixando apenas as trivilialidades.

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Mal Entendido?

Pelos vistos, a exposição de Joana Vasconcelos em Versalhes custou 2,5 milhões de euros, divididos entre mecenas privados e apoios públicos, o artigo no Expresso não permite avaliar quem paga quanto, mas garante que o Turismo Portugal pagou pelo menos 150 mil euros. A quantia é quase um quarto da totalidade do que foi pago em apoios pontuais às artes em 2010 (800 mil). Em todo o caso, a totalidade do que se gastou na exposição é mais de três vezes isso.

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico.

Autor do livro O Design que o Design Não Vê (Orfeu Negro, 2018). Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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