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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Uma Questão de Educação

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Há alguns anos concorri a um emprego onde pediam um licenciado em design de comunicação, alguém que soubesse trabalhar em FreeHand, Photoshop, QuarkXpress e Director. Eu já tinha experiência nessas áreas e acabei por ser contratado como técnico de design na Faculdade de Belas Artes do Porto. Durante o período em que ocupei o cargo aprendi muitas coisas sobre design, coisas que, muitas vezes, contradiziam aquilo que tinha aprendido naquela mesma escola. Uma dessas contradições tinha a ver com um dos gritos de guerra mais famosos do design gráfico: “É preciso educar o cliente.”

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Filed under: Cliente, Design, Ensino

45 Minutos

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Fui a mais uma conferência Personal Views na Esad de Matosinhos. Cheguei uma hora antes, mas já havia fila: umas quarenta pessoas amontoadas junto à porta do auditório, a maioria de pé, uns poucos em cadeiras de plástico roubadas à esplanada do bar da escola, onde mais alguns tomavam café, olhando de vez em quando para a fila que aumentava. Era cada vez mais óbvio que a sala ia encher, como tinha acontecido com quase todas as Personal Views deste ano (mesmo a do relativamente desconhecido William Owen esteve quase cheia).

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O Melhor Cliente Possível

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Dentro de certo discurso em torno do design de comunicação é costume assumir-se, de forma mais ou menos subtil, que cultura e estética se opõem a funcionalidade ou economia, tal como demonstra esta passagem do Plano Estratégico do Centro Português de Design 2004-7 (disponível no site do CPD):

Muitas vezes associado a algo cultural, bonito ou apetecível, o design deve ser considerado como disciplina criadora de retorno, geradora ou potencializadora de melhorias na prática de valores intrínsecos, na funcionalidade ou acessibilidade de produtos e serviços.

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O “Estágio”

Já foi há uns anos que ouvi pela primeira vez alguém defender a noção de um preço mínimo por trabalho de design. O designer em questão pretendia elaborar um abaixo-assinado onde exortava os designers a cobrarem os seus trabalhos sempre acima de um determinado preço (um logótipo seria cobrado sempre acima do preço X; uma paginação acima do preço Y, igual para todos os designers portugueses). Ele argumentava que, de outra maneira, muitos clientes acabariam por preferir trabalho mais barato, mesmo que tivesse menos qualidade ou fosse realizado por designers amadores ou sem experiência, obrigando os designers profissionais a baixarem os seus preços para poderem competir. Pelo contrário, com a criação de um preço mínimo, o cliente seria “encorajado” a escolher o designer com melhor qualidade.

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A Resistência à Teoria

O ponto de vista tradicional e aceite afirma que a crítica e a teoria do design gráfico se devem centrar sobre a personagem heróica do designer ou sobre a entidade colectiva do atelier. Se tomarmos estas duas figuras e as suas variações como pontos assentes, sujeitos a pequenas variações pontuais mas essencialmente estáveis, este texto podia parar aqui. No entanto, é minha convicção que estas figuras não são nem tão estáveis nem tão centrais como poderia parecer, sobretudo se levarmos em conta as ambições mais alargadas da própria disciplina.

O que se segue é uma enumeração não exaustiva de dúvidas e argumentos sobre a prática profissional do designer como origem e objecto da actividade teórica da disciplina.

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O Designer como Público Alvo

Quais são os mecanismos que tornam um designer português “conhecido”? Há várias escolas de pensamento: trabalho duro, pais endinheirados, contactos, sentido de oportunidade, capacidade de empreendimento, promoção pessoal e mais uma carrada de qualidades abstractas que poderiam ser aplicadas a qualquer profissão (espero que tenham reparado que deixei de fora “génio”, “talento”, etc).

Se existirem mecanismos específicos de reconhecimento, não se limitarão com certeza à qualidade formal ou técnica do designer em questão. Existem designers extremamente rigorosos e inventivos de que pouca gente ouviu falar, mas também existem grandes luminárias que têm poucas razões para o serem, limitando-se a uma vaga competência de empreiteiro gráfico.

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O Cliente na Escola

Uma das figuras “narrativas” mais invocadas pelos designers é o cliente. Não estou a dizer que os clientes não existem, ou que são figuras mitológicas. Neste texto não falo dos clientes concretos do “mundo real” mas da ideia de cliente que surge regularmente no discurso dos designers, especialmente no mundo académico, onde alunos e professores o usam como argumento definitivo quando discutem a adequação de um trabalho ao mundo real.

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Expectativa

Segundo parece, na emigre #67, Kenneth Fitzgerald vai enumerar alguns dos expedientes que os designers usam para evitar a crítica.

Mal consigo esperar. Se calhar ele vai falar da “Messianização Crítica”, onde o visado assume que ninguém tem actualmente autoridade para o criticar. Nos casos mais modestos, chega a afirmar que nem ele próprio se poderia criticar. Não, provavelmente Fitzgerald não perderia tempo com um estratagema tão óbvio.

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O Problema e o Consenso

Durante muito tempo disse-se que o designer resolvia problemas. Nos últimos anos, o chavão foi actualizado e o designer começou a “promover consensos entre profissionais das mais diversas áreas”. Os mais cínicos dirão que nada mudou; — são apenas coisas que se dizem e não afectam essencialmente a realidade.

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Iliteracia e Lettering

Uma das vacas sagradas das escolas de Design é o chamado “mundo real”. Presume-se que seja “real” por oposição à própria escola, que é uma espécie de limbo ou sala toda branca onde o Keanu Reeves guarda as armas no Matrix. Este mundo real — também conhecido por “lá fora” ou por “mercado de trabalho” — é o sítio onde o aluno de design arranja um emprego num atelier de design e nunca mais precisa de teoria para nada, vivendo feliz para sempre. Muitas vezes, as disciplinas, matérias e notas finais dos cursos de Design são dadas em função desta filosofia pragmática.

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Designers, Gráficos & Gráficas

A designação “designer gráfico” incomoda certas pessoas, sobretudo quando é abreviada para “gráfico”. Por exemplo, o Departamento de Design da Fbaup é muitas vezes chamado o Departamento de Gráficas pelos serviços administrativos, provocando algum ranger de dentes por parte de alguns professores.

Se a expressão “designer gráfico” é, como tudo na vida, uma mera tradução do inglês, porque é que incomoda tanto neste caso? Talvez porque parece a descrição de um sujeito que lida com as “Gráficas”, uma coincidência estúpida que só acontece na lingua portuguesa.

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O Designer como Charlatão

This Essay has had a specific design in Mind: It set out to expose the cunning and deceptive aspects of the word design.

Vilém Flusser

Imaginem isto: numa universidade, em plena aula, o professor diz aos alunos “Eu sou o vosso cliente; se me enganarem, passam”. À primeira vista, talvez se trate de uma aula de arte, seja ela poesia, teatro ou literatura. Nestas áreas é hábito valorizar-se o artifício, mas a palavra “cliente” leva-nos para outros caminhos; torna a frase mais inesperada, mais controversa. Será que estamos perante uma academia da fraude comercial?

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Mitologia do Design Gráfico: O Cliente

E quando o designer produz uma coisa que sabe ser feia de morrer e completamente ignóbil, cheia de cores, drop-shadows e afins? Geralmente, atribui este tipo de deslizes ao cliente, personagem um bocado típica e obtusamente pragmática, perita numa nova modalidade de sabedoria popular a que se chama marketing, segundo a qual a sua revista tem que parecer informada, em cima do assunto, pertinente; por todas estas razões é conveniente que pareça que foi concebida em três minutos, por um aluno do nono ano com excesso de açúcar no sangue. Segundo estudos científicos, só os jovens e os reformados têm tempo para ler e ver televisão — as pessoas sérias não se deixam ludibriar pela impressa e comunicação social. Isto só deixa os jovens, porque os reformados são obrigados a gastar tudo o que têm em medicamentos e comida. Infelizmente (segundo o cliente), se um jovem não tem sempre no seu campo de visão pelo menos três milhões de cores e quinze tipos de letras diferentes vai logo a correr drogar-se, ter uma infância difícil, ou seja lá o que essas criaturas fazem quando não lêem— parece que os jovens reagem melhor à má tipografia e ao excesso de degradé.

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Os nossos melhores clientes são designers

Nenhum dos pequenos actos de traição praticados no nosso dia-a-dia é feito com intenções assumidamente más. O designer como charlatão; o designer como crítico social; são tudo formas aceites e antigas do design se relacionar com o seu exterior. Mas o design relaciona-se mal com o seu interior. A ideia do designer como intermediário e comunicador vai perdendo sinceridade num mercado onde os principais empregadores são também designers.

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico.

Autor do livro O Design que o Design Não Vê (Orfeu Negro, 2018). Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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