The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Caridade e Design

Houve uma altura mágica, entre 1999 e 2008, onde se falava muito de ética e política no design. Começou mais ou menos com o First Things First 2000 e terminou com a Crise. Não foi coincidência. O design ético e político só vingou enquanto havia dinheiro para investir em caridade. Para atrair donativos e mecenas, certas causas começaram a comportar-se mais como empresas com logótipos, powerpoints, inovação e empreendedorismo – daí os designers,que ajudavam as diferentes caridades a competir entre si. Leia o resto deste artigo »

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Arte e Sociedade

António Pinto Ribeiro ontem no Ípsilon dedica um artigo a dizer o óbvio: que um artista não é necessariamente contestatário ou de esquerda. Isso é só e evidentemente um preconceito: como ele próprio inventaria, há artistas de todas as sensibilidades que fazem arte de intervenção, que não a fazem mas intervêm politicamente enquanto cidadãos, que são conservadores, de direita, etc. Leia o resto deste artigo »

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Missão: Demissão!

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Já vamos nesta crise há quatro anos, mais ou menos dois desde que chegou aqui a Portugal, e foi-se tornando enjoativo ver as mesmas falácias a serem repetidas e rebatidas todos os dias. Desde o “viver acima dos meios” até “ao temos que empobrecer”, passando pelo “não há alternativas”. Nada disto é verdade; há argumentos convincentes contra tudo isto e muito mais. Torna-se cansativo escrevê-los aqui outra vez. Até se torna penoso lê-los. Não porque não sejam mais elegantes, articulados e estruturados que tudo o que este governo alguma vez tenha dito, mas porque simplesmente são ignorados por quem está no poder. É um desgaste que é também um desgaste da própria ideia da discussão racional e informada como base da democracia. Leia o resto deste artigo »

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Parábola

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A história é conhecida. Peter Saville queria usar uma reprodução de um quadro de Fantin-Latour na capa do disco, mas não se sabia bem quem detinha os direitos de autor. Pressionado por Tony Wilson, o director da National Gallery respondeu que pertenciam ao “povo inglês” ao que Wilson respondeu que o povo inglês queria mesmo usá-la na capa de um disco. Se a história tem piada, se é subversiva, é porque pouca gente se lembra de usar o que é público literalmente, como se fosse realmente nosso. Cada vez que entregamos dinheiro ao Estado em impostos ou segurança social, estamos a investi-lo, quase como se o puséssemos  num banco. Se algum dia fizermos como Wilson e formos levantar esse dinheiro, ou pelo menos usar aquilo em que ele foi gasto, será que ainda vai lá estar? O nome do disco dá talvez uma pista.

 

 

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Filhos, Família, Design

Tal como todas as profissões, não basta produzir paginação, cartazes, logotipos, sites para se fazer design. É preciso fazê-lo de certa maneira, usando certas ferramentas, reconhecendo certas influências, etc. Por defeito, espera-se que o designer gráfico típico tenha o seu próprio atelier, sozinho ou com colegas, que trabalhe para clientes que o procuram aí, que faça o seu trabalho usando um Mac com o inDesign instalado, que tenha ouvido falar do designer X ou Y, da revista Z, etc. Não é, claro, uma obrigação rígida mas um conjunto de formalidades bastante  negociável. Poderíamos chamar a isto o discurso alargado da disciplina. Leia o resto deste artigo »

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Serviço Público

Do texto “Os Tempos do Centro Português de Design”, de José Pedro Martins Barata, publicado no livro Sena da Silva, da Fundação Gulbenkian:

“Ora ao criar o CPD, [o Ministro] Veiga Simão entendeu dar-lhe a forma de uma associação de direito privado tendo como associados organismos públicos, na maioria, obviamente, do âmbito do próprio ministério, o que resolvia vários problemas jurídico-administrativos (ainda que causando outros). Os organismos forçosamente associados viam-se assim sobrecarregados com a comparticipação num outro que lhes sugava os sempre escassos recursos, e nunca esconderam o seu fraco entusiasmo pela ideia de design, cuja necessidade lhes escapava. Mas o grosso dos recursos necessários ao exercício da actividade do CPD para lá dos que asseguravam pouco mais do que a sua existência, deveria ser conquistado pelo Centro agindo no mercado, em termos de mercado. Repare-se que, ao fazê-lo, o CPD entrava em concorrência com as próprias entidades prestadoras de serviços que, em princípio, deveriam ser apoiadas por ele – o que originava um certo mal-estar por vezes indisfarçável…” Leia o resto deste artigo »

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Eu sou uma bola de berlim (update)

E é este o filme do Marcelo. Acho que as “autoridades alemãs” até lhe fizeram um favor. A coisa faz o Duarte & Cia. parecer um filme do Tarkovsky. É claro que deve ser difícil fazer um filme publicitario sem dar a sensação que se gastou um tostão. E agora já sabemos como seria um filme do Ed Wood se ele gostasse mais do Wes Anderson que do Orson Wells. Leia o resto deste artigo »

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“Regabofe de Austeridade”

,podia ser a tradução para este Austerity Binge, escrito nos anos setenta por Bevis Hillier. Dei com ele enquanto lia o England’s Dreaming, de Jon Savage. A austeridade é a do pós-guerra e o regabofe é a histeria revivalista dos anos 50 (Rockers, American Grafitti, etc.) A austeridade de uma época recuperada enquanto excesso e nostalgia por outra, também ela austera.

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Declínio e Queda do “Designer Como Deve Ser”

Muito do que seria considerado design noutros tempos automatizou-se, concentrou-se nos Macs, iPads e iPods. Muito do conhecimento e das ferramentas necessárias para o fazer está embutido nos programas e, se houver alguma dúvida, pode-se sempre fazer uma busca no Google. Pelo preço de um computador e de uma ligação à net, exerce-se o design de uma maneira que os velhos praticantes só sonhariam se consumissem, numa base diária, doses industriais de ficção científica – e (talvez) substâncias psicotrópicas. Ainda é preciso algum talento para navegar nesta abundância de recursos, claro, ou pelo menos um ouvido para o que está ou não na moda, mas, para isso, uns anos de escola dão o empurrão inicial, e um ambiente de trabalho estimulante e exigente fazem o resto. Leia o resto deste artigo »

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Ruínas

Havia uma velha piada nas Selecções do Reader’s Digest onde se descrevia o Céu como um grupo de reformados da vida, a jogarem dominó em banquinhos, a passearem de nuvem em nuvem, suspirando como lá em baixo era tudo melhor. O Inferno era mais ou menos a mesma coisa, com a diferença que podiam levar slides. Ontem, lembrei-me várias vezes da piada enquanto assistia à conferência de Rick Poynor na Esad de Matosinhos. Leia o resto deste artigo »

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O Devido Valor.

É habitual dizer-se que ninguém dá o devido valor ao design. Que é uma actividade importante, essencial até, mas que pouca gente conhece. Se fosse reconhecida; se houvesse divulgação; se os designers se organizassem; se as escolas dessem mais formação; etc. Aí sim, seria dado o devido valor. Leia o resto deste artigo »

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O Feitio e o Defeito do Design

Há décadas que se diz que o design ainda está em fase de instalação aqui por Portugal. Que ainda é uma coisa nova, com problemas que a seu tempo serão resolvidos. Esta crise deveria confirmar que não: é uma coisa antiga e bem integrada, e os seus problemas são os mesmos do resto do país, não apenas agora mas há muito. Leia o resto deste artigo »

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Outras Austeridades e o seu Design

Ando a ler, ou melhor, a tentar ler, porque são grandes e não cabem bem nas viagens, dois textos que relacionam Design e Austeridade. Não a nossa, claro (que quando combinada com o Design se traduz em produtos de luxo feitos por gente que paga para trabalhar) mas a austeridade inglesa do Pós-Guerra. Leia o resto deste artigo »

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Marginalia

Em Guimarães, cada loja tinha o seu coração geométrico, de renda, em madeira, em bolo. Crianças trepavam as arestas de versões maiores na Praça do Toural. Um pouco exaustivo demais para o meu gosto. Só vi o meu coração preferido a caminho da estacão de comboios, de mochila às costas e preparado para o regresso: um grafitti stencil azul com o slogan “unpaid artists perform better”.

Se vale a pena vir aos Grandes Eventos Datados (Guimarães 2012, Porto 2001, Expo98, etc.) não é apenas pela arte e pelos eventos oficiais, mas também pelos desabafos, protestos e trocadilhos que inspiram. Alguém me dizia ontem que Alfredo Jaar tinha escrito “Cultura = Capital” já não sei em que ocasião, mas não se compara ao slogan clandestino que apareceu durante o Porto 2001: “Cultura do Capital Europeu”. Ou da boca do “Allgarve, Poortugal.”

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Leituras Electrónicas

Já lia muita coisa no ecrã antes de comprar o iPAd, mas foi ele que me decidiu a optar por e-books e assinaturas electrónicas, em vez de livros e jornais. É mais rápido (posso começar a ler um livro no dia em que é lançado); fico com menos coisas em casa (praticamente já só compro livros e revistas vintage, para colecção); é mais fácil pesquisar e arquivar informação útil (nada de recortes ou arrependimentos de ter atirado para a reciclagem um artigo que afinal era importante); e, para quem viaja, é tudo mais portátil (pode-se ler no mesmo aparelho onde se vê um filme, lê a correspondência, ou faz uma apresentação). Leia o resto deste artigo »

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Identidades

Cada vez mais acredito que o desafio para as artes e para o design em Portugal será a criação de identidades que se oponham e (se possível) substituam as que nos trouxeram aqui, a este momento. Não será fácil, porque as ideologias e identidades que provocaram e mantêm esta crise não só estão bem vivas nas artes como em grande medida foram ensaiadas e aperfeiçoadas dentro delas, antes de serem largadas na população em geral – os estágios não remunerados; o recibo verde; a precariedade; o trabalhador como empresário a título individual, financiando a sua participação em empresas ou eventos de grande escala, que só asseguram visibilidade ou currículo; a valorização da gestão (curadoria, p. ex) acima do trabalho propriamente dito; etc. Leia o resto deste artigo »

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Ser Designer

Mais do que uma vez, tenho visto designers de formação desiludidos com o design. Não os alunos maus ou mais-ou-menos, mas os melhores. A desilusão, parece-me, tem a ver com a insistência em ensinar as pessoas a serem designers – em transmitir não apenas uma competência técnica e formal, mas uma identidade. Leia o resto deste artigo »

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Coisas que ando a debicar (enquanto leio outras)

Este é uma antologia sobre a precariedade do trabalho na arte, um assunto que me interessa há muito tempo, quase desde a altura em que escrevo para aqui. Podem encontrar alguns exemplos do que penso sobre o assunto aqui, aqui e aqui, quase tudo pré-crise. Agora, esta reflexão só se tornou mais urgente. E não basta interrogar o papel da arte na sociedade, mas também a maneira como se estrutura o trabalho dentro da arte e do design. Ou seja, não basta fazer arte política contra a precariedade quando a estrutura em que esse trabalho é produzido assenta também ela na precariedade. Leia o resto deste artigo »

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Coeurs Sanglants, 1988

Enki Bilal era um dos meus desenhadores favoritos da segunda metade da década de 80, com um estilo ao mesmo tempo colorido e sujo, onde ainda era possível ver os restos de um contorno, da linha clara. Não havia muita coisa que se lhe comparasse. Fazia uma ficção científica urbana, a cair para o fantástico e, muitas vezes, para o político. Pela origem jugoslava, foi o homem de serviço na altura da queda do muro, e antes ainda, quando o muro, as grandes estrelas de cinco pontas vermelhas, as locomotivas cheias de soldados eram recuperadas numa versão estilizada, nostálgica, decadente, das utopias soviéticas. Leia o resto deste artigo »

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Personal Views II

As Personal Views vão voltar e é uma boa notícia. Nas primeiras séries foram um acontecimento central no panorama do design português, dando oportunidade para ver os grandes nomes do design internacional ao vivo e a menos de dez metros. Havia grandes migrações e filas de espera. Mas nem era mau porque, enquanto se esperava, se podia pôr a conversa em dia com gente de Lisboa, Coimbra, etc. – eram também uma oportunidade para ver o design português como comunidade, ao vivo e acotovelando-se. Leia o resto deste artigo »

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico.

Autor do livro O Design que o Design Não Vê (Orfeu Negro, 2018). Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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