The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

O que é uma ilustração?

Recentemente, escrevi um texto em circunstâncias pouco habituais: o Júlio Dolbeth e o Rui Santos, meus colegas nas Belas Artes do Porto e donos da Galeria Dama Aflita, dedicada à ilustração, pediram-me um texto que servisse de tema a uma exposição colectiva. Resolvi escrever sobre o Dandy, um tema que já me obcecava há algum tempo e os resultados foram, como seria de esperar, variados – alguns literais, outros inspirados, outros inesperados, outros irónicos, outros meramente banais (tudo o que seria de esperar de uma exposição colectiva).

Durante a inauguração, não conseguia deixar de pensar na forma  como esta variedade toda, espalhada pelas paredes brancas de uma pequena galeria tinha sido produzida a partir do meu texto. Muitas ilustrações são feitas de propósito para um texto específico; neste caso, eu escrevi este texto para ser ilustrado, não uma, mas dezenas de vezes. O resultado era fascinante, embora o processo não fosse – sem dúvida – a maneira mais comum de fazer uma ilustração. Mas qual é a maneira mais comum de o fazer? Ou melhor: o que é uma ilustração? Quando é que um desenho começa a ser uma ilustração? Quando deixa de o ser?

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Modinhas

É costume dizer-se que o design gráfico é uma actividade interdisciplinar, mas o que quer isso dizer realmente? Que está aberto a todo o tipo de conhecimentos ou experiências? Esta não é uma resposta particularmente interessante ou esclarecedora, na medida em que dá a entender que o design aceita tudo e todos de braços abertos, enquanto, na verdade, seria talvez mais rigoroso afirmar que escolhe bem os seus aliados, pesando bem o que pode ficar a ganhar com a ligação. Algumas disciplinas são bem-vindas enquanto outras nem por isso – ninguém gosta de ouvir dizer que aquilo que faz tem pontos comuns com o secretariado, por exemplo, mas toda a gente gosta de se associar ao cinema, à fotografia ou à literatura.

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Leituras ao frio

(páginas do catálogo For the Blind Man, encontradas aqui)

O que li sobre arte e design nas férias? Sobretudo revistas e catálogos, ou coisas que se balançam elegantemente entre os dois. Dá a ideia que nas artes actuais ninguém chega a ser pago para fazer uma só coisa: a bolsa que é dada para a participação numa bienal é usada para fazer um catálogo que por sua vez funciona como número de uma revista, etc. Este processo foi-me alegremente explicado por Stuart Bailey quando esteve cá no Porto no ano passado e confesso que, se por um lado me pareceu bastante precário, reconheço que os malabarismos envolvidos até podiam ser interessantes, tornando-se a base de toda uma série de publicações que orbitam entre Amesterdão, Londres e Nova Iorque, raspando por vezes a atmosfera de Lisboa ou do Porto.

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Ípsilon

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Hoje, no Ípsilon aparece um artigo de José Marmeleira sobre a exposição de cartazes políticos no MUDE , para o qual fui entrevistado [Update: link corrigido].

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Dexter Sinister

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“Eu costumava dizer [que era] ‘tipógrafo’, no tempo em que a profissão tinha de aparecer no passaporte. Era uma forma de comprometimento um tanto ou quanto romântica, porque nunca pratiquei isso da mesma maneira que muitas pessoas o fizeram. Também escrevia muito, e agora faço muita edição – o que significa ler o que outras pessoas escrevem, lidar com textos e trabalhar com outros designers. Assim, acho que agora sou um editor, no sentido continental e francês de ‘editeur’, que também significa alguém que publica. Sinto-me bem com essa ideia; tem algumas das boas qualidades associadas a ‘tipógrafo’. Não é tanto produção visual quanto verbal. É isso que eu faço.”[1] Foi assim que o designer Robin Kinross respondeu quando, numa entrevista, lhe perguntaram qual era a sua profissão, e foi citando-o que Stuart Bailey se apresentou a si mesmo numa conferência em 2006[2]. Era uma maneira elegante de resumir o seu próprio percurso, que em muitos pontos se aproximava ao de Kinross: Bailey também era um designer gráfico de formação que, sem abandonar de todo a sua área, a considerava, de alguma forma, limitada demais.

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Coisas

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Ocupado pela avalanche de textos de Abril, ainda não tenho tempo para um post a sério. Em vez disso, aqui vão algumas notícias breves.

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A Livraria Ideal

Mais do que o cartaz, a capa de cd ou o site, a capa de livro é, neste momento, o formato da moda. Há pelo menos dois blogues sobre o assunto e tem sido rara a revista que não lhe tenha dedicado pelo menos um artigo nos últimos meses. Por sua vez, os designers de capas de livros gozam de um prestígio inédito dentro e fora do design, com Chip Kidd à cabeça, mas também David Pearson, Rodrigo Corral, Paul Sahre, Jonathan Gray, Helen Yentus, entre outros.

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Identidade Cultural?

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Costuma dizer-se que o design resolve problemas, mas seria mais correcto dizer que é um processo de negociação, e que cada objecto de design não é uma solução, mas a materialização de um problema, um compromisso que se objectivou. Desta forma, é possível olhar para um livro, por exemplo, e ver nas continuidades e contradições entre forma e conteúdo, entre paginação e assunto, um conjunto de relações sociais, de antagonismos, de aspirações e compromissos.

Em c/id, isto começa por ser evidente na maneira como o seu público alvo é representado. Segundo o texto da contracapa, este livro destina-se a designers que trabalham para clientes culturais e a pessoas que lidam com branding e gestão das artes. Mas no único índice do livro estão apenas clientes e não designers. Nos textos que apresentam cada um dos projectos, o designer é referido de forma discreta, quase no fim, só depois de identificado o cliente, a sua história, e a razão porque decidiu criar ou modificar a sua imagem gráfica. É preciso esperar pela última página para encontrar, finalmente, no meio da ficha técnica, uma lista de agradecimentos onde aparecem os nomes dos designers representados e das suas firmas, mas, mesmo aqui, estão ordenados alfabeticamente por cliente, com o nome deste último destacado a bold.

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A Cena Independente do Porto ou a Comunidade enquanto Mercadoria

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Thus, and thus only, the whole place had properly to be regarded; it had to be considered not so much as a workshop for artists, but as a frail but finished work of art.

G.K. Chesterton, The Man Who Was Thursday – A Nightmare

No começo do livro “O Homem que Era Quinta-Feira”, G.K. Chesterton descreve uma colónia de artistas londrina do começo do século XX como uma obra de arte acabada e frágil, que nunca produz realmente arte. Mas as aparências enganam, e a comunidade pacata mascara assuntos sérios, neste caso a guerra secreta entre uma conspiração governamental e uma conspiração de anarquistas, que acaba por se revelar finalmente como apenas um jogo de espelhos, sem verdadeiros antagonismos. Da mesma forma, aquilo a que se chama a cena independente do Porto é também uma frágil e acabada obra de arte que esconde alterações profundas no modo de ser dos artistas, quer a nível económico como social.

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Dois Empregos (ou mais)

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Como se avalia o sucesso profissional de um designer? Talvez um designer bem sucedido deva poder viver bem do seu salário, sem precisar de um segundo emprego, por exemplo. Mas será que é mesmo assim? Muitos dos designers mais conhecidos acumulam a sua prática profissional comercial com o ensino e, de maneira geral, isso até é visto como um reconhecimento do seu mérito enquanto designers. É uma situação tão natural que muitos não vêem o ensino como um segundo emprego, mas como uma extensão da sua prática profissional normal.

Mas o duplo emprego também se tornou comum entre os jovens designers, embora com um carácter distinto. Há uns três anos, por exemplo, um amigo meu trabalhava das nove às sete num atelier de design de grandes dimensões, quase uma agência. Fora de horas e aos fins de semana, ainda conseguia manter inúmeros projectos editoriais independentes e auto-financiados. Mais recentemente, outro amigo meu recém-formado trabalha num hostel, o que lhe permite manter uma base financeira sólida para manter quer projectos independentes – neste momento, comissaria uma exposição de design no estrangeiro –, quer trabalhos comerciais – faz book design para uma editora portuguesa muito conhecida.

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História (Muito Abreviada) do Design

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Poder-se-ia traçar uma história do design gráfico português como uma lenta disputa territorial entre formas e conteúdos, entre design e linguagem.

Nos posters de Francisco Providência, ou nos de João Machado, por exemplo, há uma separação clara entre texto e imagem, entre título e ilustração, com raras e tímidas interacções. Cada elemento ocupa o seu lugar numa hierarquia gráfica bem definida, que corresponde também a uma separação técnica de responsabilidades, típica da era pré-computador.

Nessa altura, a ilustração era feita por um ilustrador, a fotografia por um fotógrafo, o design e a tipografia maquetizados por um designer, que supervisionava também a concretização final do processo na gráfica, onde a tipografia era composta, as gralhas revistas, as ilustrações e fotografias reproduzidas, e o objecto final impresso.

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O Respeitinho

Existem designers em Portugal sobre os quais não podemos dar uma opinião negativa. Não falo sequer de uma reacção dos designers visados, mas de quando alguém afirma que um trabalho não pode ser mau apenas porque foi feito por um determinado designer e que sugerir o contrário seria falta de respeito.

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Max Bruinsma na Esad

Na sexta passada fui assistir a uma conferência do historiador de arte Max Bruinsma na Esad de Matosinhos. O tema foi a exposição Catalysts que Bruinsma comissariou na Experimenta Design deste ano. Bruinsma percorreu a maioria dos trabalhos expostos, comentando-os perspicazmente, falando do papel cultural crescente do design. Foi uma experiência interessante e satisfatória a todos os níveis, só tendo pecado pelas duas horas previstas serem pouco para a acomodar. Superou a revista-catálogo da exposição (mesmo assim interessante) e a própria exposição. Muito bom.

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Três Dias Noutra Cidade

Participar na Experimenta foi intenso: três dias a falar e a pensar sobre design, no meio dos nomes sonantes e do público crítico e interessado. Também foi ligeiramente frustrante, porque soube a pouco – mesmo com todos os eventos, debates e exposições. Tenho a sensação – talvez errada – que, no design português, o de comunicação é o que conta com mais praticantes. No entanto, dentro desta comunidade cada vez maior, a ausência de uma esfera pública é manifesta, continuando a não haver eventos ou publicações regulares. Nesta Experimenta – a primeira onde o design gráfico teve mais cobertura – as salas estiveram apinhadas, provando a existência de um público que se mobiliza de todos os cantos do pais para ver gente a falar sobre design de comunicação. Fazem falta, portanto, mais iniciativas nacionais nesta área.

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Expectativa

Segundo parece, na emigre #67, Kenneth Fitzgerald vai enumerar alguns dos expedientes que os designers usam para evitar a crítica.

Mal consigo esperar. Se calhar ele vai falar da “Messianização Crítica”, onde o visado assume que ninguém tem actualmente autoridade para o criticar. Nos casos mais modestos, chega a afirmar que nem ele próprio se poderia criticar. Não, provavelmente Fitzgerald não perderia tempo com um estratagema tão óbvio.

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E Mais Uma Vez, O Design Inglês

Uma pessoa avalia um objecto de design gráfico de fora para dentro, a começar pela lombada ou capa, depois olha com atenção o aspecto e composição das páginas e, finalmente, se for caso disso, lê a coisa. Para quem – como eu – não gosta de comprar na net, este processo é insubstituível. Permite namoriscar o livro, revista ou catálogo, mesmo sabendo que, na maioria dos casos, não se lhe consegue resistir. Graças a este hábito, no entanto, quase ia deixando escapar um bom livro sobre design, apenas porque o título na sua lombada é mais comprido (e graficamente ilegível) que os soundbites habituais: “Communicate: Independent Graphic Design since the Sixties”.

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico.

Autor do livro O Design que o Design Não Vê (Orfeu Negro, 2018). Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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