The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Sal+Azar, Sol+Azar

E ainda mais outro do Paulo de Cantos, o décimo quinto da minha colecção, um livro duplo que pode ser lido nos dois sentidos, para a esquerda e para a direita, o que assume aqui um significado político e jocoso, de bem e de mal, um cisne e uma cobra, as sete virtudes capitais e os sete “picados” capitalistas, a propósito da figura de Salazar que teria sido seu colega de carteira na escola. Mais um com dedicatória manuscrita do autor,* datada de 13 de Janeiro de 1975:

“Ao ilustre prof. Dr. Fco. Couto dos Santos, apolítico distintíssimo a quem se podem confiar algumas alfinetadas e elogios (aquelas envenenadas e estes extremamente adocicados) para que propositadamente pareçam compensarem-se e anularem-se respectivamente umas às outras… anulando-se mutuamente!”

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La Cantatrice Chauve, 1964

Apanhei finalmente o livro mais conhecido de Massin no eBay francês. Trinta e um euros e meio, incluindo portes, por uma primeira edição desta colaboração com Ionesco e Henry Cohen. É mais bonito ao vivo do que nas imagens – excepto talvez as reproduções a preto com reflexos prateados na Typographica 11. Faz um bom par com a sua colaboração com Raymond Queneau.

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A Mancha Misteriosa

Olhem com atenção: poderia ser apenas uma nódoa de gordura na borda das páginas de um livro usado, se não fosse também o vestígio arqueológico de uma antiga tentativa, falhada, de dar cabo da própria ideia de livro usado.

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Tudo (a versão de bolso)

Quando me perguntam que livro levaria para uma ilha deserta, costumo escolher a edição portuguesa da Sociedade do Espectáculo, de Guy Debord, com uma capa convenientemente espelhada que talvez me ajudasse a sinalizar a minha presença a aviões ou navios. Para uma estadia mais prolongada, escolheria este Almanaque Lello de 1933, com uma pequena régua e uma tábua de multiplicação incluídas na capa e não me espantaria se o seu peso não correspondesse também a alguma medida do sistema métrica – umas tantas páginas uns tantos decigramas. Apesar de todos os programas de televisão sobre sobrevivência em ambientes hostis, que assinalam talvez um obsessão contemporânea pela escassez, um medo de perder irremediavelmente a nossa bolha envolvente de tecnologia e sociedade, a verdade é que há apenas cem anos as nossas ambições e obsessões nessa área da possível subsistência em ilhas desertas eram mais estranhas e extremas: na Ilha Misteriosa, de Verne, alguns prisioneiros naufragados num balão com pouco mais do que a roupa que tinham no corpo, no dia seguinte já tinham ideias de reconstruir ali mesmo a civilização, com fábricas, forjas e casas. Nessa tarefa, só contavam com a sua cultura geral, mas não tenho dúvidas que o Almanaque Lello os ajudaria, um livro-ferramenta que era também um registo de factos, dicas, mapas da terra e do céu, criminologia, agricultura, filosofia, política, etc.

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Are We To Read Sdrawkcab?, 1884

Chegou-me hoje pelo correio, um livrito minúsculo, mas que me pode ajudar a decidir um mistério antigo.

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Coisas do Ano

Melhores publicações sobre design em 2011: em Portugal, e sem grandes dúvidas, vou para a Colecção D, organizada por Jorge Silva e editada pela Casa da Moeda. Pelos títulos que já fui vendo, são objectos bem produzidos, com uma investigação e apresentação muito cuidadas por parte do próprio Silva. Conseguem a proeza de tornar a história do design português numa coisa com bom design (uma coisa rara). Houve mais projectos com interesse dentro do design português, a Revista Pli, por exemplo, editada pela Esad, com bom aspecto, mas ainda só um número editado e algum desequilíbrio de tom entre design e conteúdos que será provavelmente resolvido nos números seguintes.
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Livros antigos

Neste momento, graças à internet e a sites como o eBay ou o Abebooks, não há muita diferença entre comprar um livro antigo ou um livro actual, o que permite perceber como vai mudando o lado concreto de um livro.

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Só para lembrar

Só para lembrar que a minha próxima conferência na Culturgest será amanhã às seis e meia, e terá como ponto de partida o livro Pioneers of Modern Typography, de Herbert Spencer (Lund Humphries, 1969).

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Sá da Costa

Uma das minhas livrarias de livros antigos em Lisboa é a Sá da Costa, em pleno Chiado pouco antes da Benard e da Brasileira para quem sobe da Fnac. Foi lá  que encontrei a bonita capa reproduzida logo abaixo, protegendo um livro composto por Eric GIll, mas a sua maior atracção são as publicações da própria editora Sá da Costa, como os dois manuais de Ciências da Natureza com capas de Sebastião Rodrigues.

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Marinetti, 1908

Enquanto andava atrás de livros do Paulo de Cantos, encontrei-o no blogue de um alfarrabista à venda por 4 euros. Pela data, já estava lá há um ano, mas ainda assim tentei a minha sorte: um livro do Marinetti editado antes do Manifesto Futurista era um achado, mesmo que não fosse uma primeira edição.

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Portugueses

São fotografias de Portugal mas sobretudo de uma Lisboa quase rural do começo dos anos oitenta, com namoros, velhinhas, bigodes de manivela e fado, gay escrito ainda entre aspas, onde os modelos ainda eram manequins, alguém se podia vestir integralmente de bombazine e ainda se apanhavam rebanhos de ovelhas a circular nas avenidas de Lisboa. Apanhei-o ainda novo, por 12,5 euros na Letra Livre.

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2ª Conferência sobre Livros na Culturgest

A minha próxima conferência na Culturgest será deste Sábado a oito, dia dezassete às seis e meia, e terá como ponto de partida o livro Pioneers of Modern Typography, de Herbert Spencer (Lund Humphries, 1969).

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Manual do Typographo, Joaquim dos Anjos, 1886

Chegou-me hoje e só tive tempo para o ir debicando: um pequeno livro de sessenta e quatro páginas de texto denso e poucas ilustrações, presas não com um agrafe mas cosidas com cordel. Tal como o livro de Libânio da Silva faz parte de uma colecção que se assume como biblioteca, dedicada à instrução do povo – educação ao serviço da indústria.

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Outro do Paulo de Cantos: Astrarium Vol.1, 1955

É um livro de astronomia/astronáutica com factóides, humor, mapas do céu e da terra que mistura ficção-científica com factos científicos sem grandes preocupações que não sejam ensinar divertindo. Ou vice-versa. Particularmente interessante é o “onomatograma” do autor, os desenhos de meteoritos feitos com caracteres tipográficos (abaixo na galeria) e a conclusão da última página:

“Cine em livro é documentário rico e vivo que dá direito a repetir a sessão sempre e onde vos der a gana. Tudo é bom quando acaba bem.”

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99 Exercícios

Aqui vão as fotos do Exercices de Style, de Queneau, Massin e Carelman.

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O Pinguim

Uma boa passagem dos Textos de Guerrilha, apanhado na biografia de Luiz Pacheco da Tinta da China, na página 53, a propósito d’O Pinguim, um jornal que criou no Liceu, impresso num copiógrafo artesanal:

“de fácil construção, que os copiadores da época eram escassos e tinham de ser declarados na PIDE, tal o medo, as precauções! Um tabuleiro; gelatina; um ácido qualquer para não azedar a massa; tinta hectográfica [violeta] para os desenhos, fita de máquinaidem para os textos. O Pinguim: direcção minha, desenhos de paginação do Manuel José Morgado, um caldense com muita queda para a escrita e o desenho, então hóspede em minha casa, hoje alta patente das Forças Armadas. Com quem tive pugnas à refeição, ele anglófilo, eu germanófilo dos quatro costados. São manias da adolescência. Convidei o [José Cardoso] Pires. Que me apresentava, dias depois, o seu primeiro original, Aventuras do Mosquito Zig-Zague, e me exigia pagamento dos Direitos de Autor, cinco tostões, prenunciava sua posterior intransigência que perfilho, que um escritor portuga que receba menos de 20 por cento de percentagem sobre o preço de capa é um refinado filho de puta!”

De uma assentada, percebe-se o modo como a censura actuava sobre as tecnologias de reprodução de escritório e como funcionavam estas. Será que a tinta violeta usada no Comunidade era uma eco destas primeiras experiências?

Update: Pelos vistos, as tintas roxa e verde de algumas das publicações eram apenas as mais baratas da gráfica.

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A Velha Emoção

Já andava atrás deste há anos, mas foi difícil. É uma das publicações dos Bazooka, o número 5/6 do Bulletin Périodique, uma coisa grande (abaixo comparada com um livrito da Penguin) e abundante de detalhes, corpos, fotos, coisas quase em BD e, na capa, em baixo à direita, um apelo à Ditadura Gráfica.

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A difícil arte da reedição

Quando fazia banda desenhada, das piores coisas que me podiam dizer é que eu era o “tipo dos patinhas”, querendo dizer coisa rasca, infantil – o que não podia estar mais longe da verdade, sabendo que houve muita gente a escrever patinhas bem decentes e ninguém melhor que o próprio inventor do Tio Patinhas, Carl Barks, habitualmente posto ao nível de Hergé, Franquin ou Tezuka. E com razão.

Desde há anos que tenho coleccionado as suas histórias, infelizmente reeditadas em formatos estranhos, demasiado grandes e com degradés exagerados de computador, talvez para apelar às novas gerações. Agora a Fantagraphics pôs mãos à obra, e sendo uma das melhores e mais cuidadosas editoras e reeditoras de banda desenhada, fez um bom trabalho, com um formato médio e uma trama de cor fina mas visível sobre um papel branco-sujo, que se assemelham às das primeiras edições sem cair no pastiche. Muito bom.

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Portugal do Fado

Agora que o Fado é património imaterial da humanidade – uma categoria um tanto ou quanto estrambólica, mas enfim –, aproveito para mostrar aqui uma espécie de photobook dedicado ao Fado. Produzido por Carlos Branco e Mascarenhas Barreto em 1960, um ano depois do Lisboa Cidade Triste e Alegre de Palla e Costa Martins, tem bastantes semelhanças temáticas e formais com este, permitindo fazer uma espécie de anatomia comparada: ambos impressos em rotogravura; ambos com poemas de O’Neill e Pessoa; ambos com arranjos de página semelhantes; fotografias dos bairros típicos embora alternadas com stills de filmes e outras imagem enlatadas; não uma autoria partilhada a dois mas uma autoria colectiva de imagem de arquivo. É sem dúvida um livro mais comercial e menos político, mas com bons momentos (a contracapa e a montra com a guitarra, por exemplo).

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A K no (P)

“Sem nenhuma formação especial, apenas a noção de que nasci com olhos para a composição e com a moral necessária para saber que uma folha em branco é qualquer coisa de precioso – é preciso ter muito cuidado para a ‘sujar’ com letras, riscos ou cores –, balancei sempre entre o fascínio pela agressividade e o rigor dos construtivistas soviéticos, os do vermelho e do preto sobre o branco, e a sofisticação e o rigor do grande Alexey Brodovitch, talvez o maior de todos. E nunca me esqueci do português José Pacheco, amigo de Pessoa e de Almada, e responsável pela extraordinária revista Contemporânea, que bom título, muito melhor que Moderna. Imune à confusão do pós-modernismo, por formação, convicção e distância, estive perto de um grupo que se designava por ‘Gráficos Perpendiculares’ e de um outro que defendia a ‘linha clara’. Percebem, não é verdade?”

João Botelho, autor do projecto gráfico da K, num dos melhores textos do catálogo (P) Portugal 1990-2005. 145 palavras que dizem muito.

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico.

Autor do livro O Design que o Design Não Vê (Orfeu Negro, 2018). Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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